As cooperativas Arapoti, Batavo e Castrolanda fundadas pela colônia holandesa radicada na região dos Campos Gerais há mais de 50 anos vão se fundir e formar uma única cooperativa que passa a operar a partir de janeiro de 1998. O projeto de fusão prevê o fortalecimento de uma só estrutura e torná-la mais eficiente para ganhar competitividade na produção em escala, principalmente na área de laticínios.
Atualmente elas entregam quase 500 mil litros de leite diários oriundos dos produtores associados e a matéria prima é industrializada pela Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLPL), que recebe outros 480 mil litros da Agromilk, cooperativa do Oeste Catarinense adquirida esse ano pela Batavo, que passou a industrializar quase 1 milhão de litros de leite por dia. Para sustentar a expansão do recebimento de leite, a CCLPL investiu R$ 40 milhões no processo de modernização.
A Cooperativa Central também está em processo de buscar parcerias para um novo empreendimento. Aliás a fusão das cooperativas singulares também deve abranger a CCLPL, já que a tendência é virar uma coisa só, fundidas em sociedade anônima. A CCLPL está negociando a venda do seu controle acionário para a Parmalat.
Aprovação dos cooperados Para a fusão das coooperativas de produção, o assunto está mais adiantado e foi decidido em assembléia com os cooperados realizada no mês passado. Nas cooperativas Arapoti e Batavo o índice de aprovação foi de quase 90% e 76% na cooperativa Castrolanda. Para a segunda etapa, que está em execução foi criada uma comissão com os presidentes e vice-presidentes das três cooperativas para elaborar o projeto, com o acompanhamento da empresa de consultoria holandesa Agriment.
A projeção de economia de custos feita pela empresa de consultoria deve chegar a US$ 8 milhões anuais. O projeto é ousado e constitui uma decisão importante por parte dos 1,7 mil cooperados das três cooperativas, admite o presidente da Fundação ABC, Richard Borg, empresa de pesquisa e assistência técnica que atende às três cooperativas.
Elas movimentam cerca de R$ 400 milhões com a produção de leite, carnes de aves e suínos e o projeto de fusão implica em enxugamento das estruturas atuais para depois partir para um plano de expansão. A previsão é que a estrutura que hoje conta com 900 funcionários seja enxugada em pelo menos 300 funcionários na área administrativa e de gerência.
TerceirizaçãoO projeto de fusão não descarta a possibilidade de terceirização de outras estruturas comuns às três cooperativas. Os setores de pesquisa e assistência técnica representados pela Fundação ABC funcionam de forma unificada há 12 anos. A Fundação ABC é uma das responsáveis pelos avanços tecnológicos implantados na região conhecida como a mais tecnificada do País. A região dos Campos Gerais se destaca como o berço do plantio direto, técnica que favorece os maiores índices de produtividade de milho, em torno de 10.000 a 12.000 quilos por hectares, semelhantes aos obtidos nos países mais desenvolvidos.
Para o especialista da Agriment, esse momento é ideal para a fusão das cooperativas, salientando que esse processo é irreversível no mundo inteiro. Para se ter uma idéia, na Holanda restam apenas três cooperativas de laticínios, cada qual com uma produção de aproximadamente 2,5 bilhões de quilos de leite por ano e continuam crescendo. A Batavo produz cerca de 350 milhões de quilos por ano, comparou o especialista. Os pequenos produtores que quiserem sobreviver a essa reformulação do sistema de produção precisam ter produtos diferenciados, aconselhou.

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