Fusão de empresas: concentração ou oportunidade de mercado?
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sexta-feira, 09 de abril de 2010
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O futuro do mercado da carne entrou na pauta de discussões da 50 ExpoLondrina. O foco principal do debate foi a movimentação do segmento em meio a fusões de empresas no País, como por exemplo, a união de frigroríficos. Pecuaristas, consultores empresariais e representantes de indústrias apontaram que a união de empresas pode ser interessante sob o ponto de vista de ganhos de escalas, porém há a necessidade de se avaliar diversas variáveis nesse modelo de negócio, principalmente as que atingem produtor e consumidor.
''Não é uma operação simples, pode afetar o mercado brasileiro e o externo. No caso de frigoríficos, pode atingir produtores e consumidores. Por isso, antes de qualquer fusão é preciso uma análise do setor e diversas variáveis devem ser levadas em conta'', afirmou Cleveland Prates, consultor empresarial, que também já fez parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Na opinião dele, operações de fusões podem, sim, muitas vezes indicar concentração e exploração do segmento, gerando prejuízos para várias partes da cadeia produtiva. Por outro lado, pode ser a oportunidade de salvar uma empresa. ''Por isso, o Cade se preocupa em avaliar o bem-estar dessa cadeia diante da possível união'', disse Prates. E acrescentou: ''Consumidor ganha quando a fusão não gera redução da concorrência e quando a empresa formada tem eficiência''.
Pecuaristas, por sua vez, acreditam que fusões fortalecem o mercado brasileiro, mas temem prejuízos na hora de negociarem com a indústria. Eles se preocupam, pois entendem que a condição do produtor, no momento de estabelecer preços, poderá ser vulnerável. E ainda receiam que certas uniões de empresas prejudiquem o lado social do segmento, grande gerador de emprego.
Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), lembra que a maior renda do campo vem da pecuária, que segue como um dos principais empregadores do setor. ''A agricultura brasileira não chegou ontem, tem uma história e é extremamente competente'', fez questão de frisar Ramalho. Contudo, apontou que a fusão de empresas é um novo momento do Brasil, que pretende ser cada vez mais agressivo no mercado externo.
Nesse sentido, o presidente da SRB aponta a necessidade de se debater o tema, mas coloca que o produtor precisa passar a pensar a pecuária de forma diferente. ''Ele precisa se profissionalizar, buscar alternativas de comércio, compra, venda'', acrescentou. Ramalho reforça que o pecurista deve ser mais gestor, investir mais fortemente no seu negócio, se preocupar com as questões de mercado, operar mais em bolsas, por exemplo. ''Não pode confinar um boi sem saber por quanto vai vendê-lo'', destacou.
Para José Antônio Fontes, presidente da Associação Nacional de Produtores de Bovino de Corte (ANPBC), pecuaristas terão que se organizar na tentativa de equilibrar a cadeia. Qualquer concentração, segundo ele, pode desestimular uma parte da cadeia produtiva por causa da remuneração. ''O produtor vai precisar se concentrar, se juntar em grupos para ter poder de barganha'', afirmou o pecuarista, reforçando que com a cadeia ordenada a indústria vai participar apenas como cliente.
Reforçou que o equilíbrio dos produtores será fundamental para dar continuidade à atividade. Fontes observou ainda que pecuaristas têm a preocupação de não fechar escalas para os frigoríficos. Mas cogitou que diante de dificuldades de mercado, dependendo da lei da oferta e procura, ''poderemos reduzir a quantidade de fêmeas para dificultar a escala de frigoríficos, e o reflexo será no preço para o consumidor''.


