A citricultura da Flórida, estado situado na região sudeste dos Estados Unidos, vive um período tumultuado. Problemas climáticos promoveram forte quebra na produção, deixando produtores sem perspectivas. A região responde por cerca de 35% da produção de suco de laranja no mundo.
  Um grupo de empresários brasileiros visitou, recentemente a região e constatou a preocupação dos produtores norte-americanos. No grupo de visitantes estavam diretores da empresa Paraná Citrus – fábrica de suco concentrado e congelado de laranja da Coopertativa Cocamar.
  Os estragos sofridos pelos pomares americanos após os furacões que varreram a Flórida nos últimos meses, devem promover uma queda na produção de mais de 122 milhões de caixas de laranja. Em 2005, especialista prevêm a produção de apenas 170 milhões de caixas da fruta.
  Os brasileiros ouviram dos mesmos especialistas que os pomares poderão demorar dez anos para recuperar-se e retomar o mesmo volume de produção do ano passado.
  Os furacões, no entanto, contribuíram para produzir um outro tipo de dano, não menos grave: a intensa proliferação do cancro cítrico, doença que ataca os
frutos, já presente em 90% dos
pomares da Flórida.

Futuro incerto   A intensa especulação imobiliária naquele estado norte-americano derrubou o preço das terras e limitou a expansão da citricultura. Um acre (4.000 m2) na região produtora de laranja não sai por menos de US$ 7 mil. Projetando essa cotação em reais, o fazendeiro teria que desembolsar mais de R$ 100 mil por um único alqueire, por exemplo, o que, segundo os especialistas, encareceria demais a atividade.
  Não bastasse, o citricultor enfrenta outro problema: a escassez de mão-de-obra para serviços como a colheita. O atual contingente de trabalhadores é formado principalmente por mexicanos que entram ilegalmente no país. E, segundo os empresários brasileiros, cobram caro
pelo trabalho.
  A saída, considerada bastante onerosa, é o investimento na mecanização da colheita. Hoje, pelo menos 40% dos pomares são colhidos com máquinas e essa operação, cada vez mais sofisticada, inclui até mesmo o uso de robôs.
  Um conjunto colhedor de laranja, que não sai por menos de US$ 1 milhão e leva sete anos para se pagar, derriça e recolhe os frutos de uma árvore em menos de dez segundos.

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