É praticamente impossível encontrar um sojicultor que nunca enfrentou problemas com a ferrugem asiática. Seja em pequenas ou grandes áreas, a dor de cabeça e os prejuízos preocupam, ainda mais nas safras em que a chuva é mais intensa, como promete a 2015/16. Os agricultores que conversaram com a reportagem da FOLHA também confirmam que ano após ano os fungicidas parecem menos eficientes.
Na expectativa de plantar a oleaginosa até o dia 10 de outubro, Laurindo Tetsuya Hiroishi relembra as perdas com a ferrugem na safra 2013/14. Ele comenta que na sua propriedade de 18 alqueires, na cidade de Tamarana, a produtividade de uma das variedades pela qual ele optou caiu de 140 sacas por alqueire para 80 sacas por hectare devido à ação da doença, uma quebra de 42%. "A primeira vez que perdi com a doença foi logo que ela chegou por aqui e aconteceu por falta de informação. Neste último caso, a chuva atrapalhou a nossa entrada na lavoura e não conseguimos aplicar o fungicida para fazer o preventivo, mas apenas no curativo, o que complicou demais", explica.
Hiroishi não tem dúvidas de que os produtos, ano a ano, perdem eficiência no campo. Ele percebeu que se antes o residual dos fungicidas permanecia por até 20 dias agindo na lavoura, agora são, no máximo, 12 dias. "Isso faz nós reaplicarmos o produto mais vezes. No ano passado, na área que não tive problemas, fiz quatro aplicações. Já na área problemática, foram cinco." Para a safra 2015/16, a expectativa é uma produtividade de 150 sacas por alqueire. "Investi em cultivares mais resistentes à ferrugem. Já percebi que o adubo subiu bastante e ainda não cotei os preços de fungicidas, mas quero realizar menos aplicações este ano", complementa.
Em Cambé, o produtor Sérgio Chinaglia comenta que é impossível não se preocupar com a ferrugem, já que todos "convivem com a doença há muitos anos". Ele explica que nunca teve perdas muito grandes com a ferrugem, mas sempre faz a aplicação preventiva na área de 120 alqueires para evitar transtornos. No geral, as aplicações na propriedade dele giram em torno de duas a três por safra. "Neste ano, estamos com a expectativa de produtividade de 150 sacas por alqueire, a mesma do ano passado. Se permanecermos na média de três aplicações de fungicida, está de bom tamanho, já que percebemos que os produtos estão perdendo eficiência", avalia ele. (V.L.)

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