Fumicultores do Sul organizam cooperativa
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Reportagem Local 
Fumicultores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul/CUT) vão criar uma cooperativa para a comercialização direta do fumo produzido pela agricultura familiar dos três estados. Os produtores pretendem queimar etapas e concluir o empreendimento num prazo de dois anos.
Segundo Albino Gewehr, representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Câmara Setorial Interministerial do Fumo, a fumicultura familiar possui três das quatro condições necessárias para viabilizar o projeto. O número de fumicultores interessados, já que a base de atuação da Fetraf-Sul/CUT conta com 45 mil famílias produtoras e destas estima-se que a adesão imediata chegue a 10 mil interessadas; a manifestação de apoio de autoridades locais para a instalação de usinas de beneficiamento e o fato de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possuir uma linha de crédito para investimentos nesta área.
Para Gewehr, o que ainda impede a criação imediata da cooperativa é o fato de as indústrias transnacionais fumageiras dominarem o mercado internacional, ditando preços e condições. ''Vamos buscar as garantias de comercialização direta com a Europa e a Ásia para criarmos de fato a cooperativa de fumicultores'', afirma.
Outra decisão do setor é a de reivindicar, junto ao Ministério da Saúde, a realização de pesquisas de monitoramento da saúde das famílias produtoras de fumo, semelhante ao que acontece nos Estados Unidos e Canadá. Pesquisas realizadas por universidades destes dois países apontaram para a existência do que eles denominaram de ''doença do tabaco verde'', manifestada por problemas decorrentes da absorção de nicotina pelos fumicultores durante a colheita.
Enquanto o Ministério da Saúde vê na ratificação da Convenção-Quadro para Controle do Tabagismo uma forma de acelerar o controle do tabagismo no País, o Mapa discute com o Ministério da Fazenda a criação de um imposto sobre os cigarros para a criação de um Fundo de Apoio à Conversão das Lavouras dos fumicultores que já pretendem mudar de cultura. A convenção-quadro por si só não proíbe o plantio, mas suas repercussões futuras podem apontar para a necessidade de se reduzir a produção.


