A idéia inicial era a de atender a uma exigência da legislação ambiental para o tratamento da fumaça expelida pelos fornos das carvoarias. Mas o empresário Lourival de Moura conseguiu ir além. Com a ajuda do genro Gerson do Lago Pretti, que é engenheiro mecânico, eles montaram uma máquina que permite o aproveitamento da fumaça, ou melhor, de um dos componentes extraído da fumaça da queima de madeiras, o ácido pirolenhoso.
O utilização do ácido pirolenhoso, admite Moura, não é inédito. Os japoneses utilizam o produto há séculos tanto no controle de pragas como na adubação. ''A novidade é o equipamento que utilizamos para a condensação da fumaça e a posterior filtragem do material coletado, facilitando a exploração comercial'', explica Moura.
Os sócios criaram dois tipos de condensadores de fumaça tanto para pequenas quanto para grandes carvoarias. Para locais com poucos fornos, o condensador funciona como uma chaminé. ''Um espiral de material metálico cuida do resfriamento da fumaça. Uma vasilha na base da chaminé coleta o líquido que é levado depois para tambores plásticos.
Já em carvorarias maiores, a fumaça de todos os fornos é canalizada para um único local - uma espécie de tanque - em que o resfriamento é promovido pela água acondicionada no reservatório. O resto da fumaça que escapa do tanque, segundo Moura, está isenta de poluentes.
A ''fumaça líquida'', fica nos tambores por cerca de seis meses, nesse período ocorre a decantação natural do material. ''O líquido se divide em três camadas: água, ácido ou extrato pirolenhoso e alcatrão''. O alcatrão, destaca o empresário, é o ingrediente poluente da fumaça.
A máquina criada pelo engenheiro mecânico Gerson Pretti faz a filtragem do alcatrão, tirando dalí as sobras do ácido pirolenhoso. Lourival Moura está envasando o pirolenhoso com o objetivo de por esse adubo orgânico no mercado. O produto foi batizado como ''Pirosfértil'', a comercialização aguarda o registro junto ao Ministério da Agricultura. ''Já encaminhamos todo o material exigido. Estamos a espera da liberação'', informa.
O alcatrão também tem utilização industrial. ''Ele é aproveitado pela indústria asfáltica, na fabricação de sabões, no tratamento de madeira, entre outros'', lista Lourival Moura.
O aproveitamento do pirolenhoso, conforme apurou a FOLHA, está se tornando mais uma atividade que agrega valor à produção das carvoarias no País, além de eliminar o efeito poluente deste serviço. O produto, pela sua eficiência tem ganhado a preferência das pessoas ligadas à produção orgânica. Atualmente exite apenas uma empresa, instalada em Minas Gerais, com autorização do Ministério para comercializar o pirolenhoso.

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