Frutas: potencial pouco explorado
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sábado, 01 de dezembro de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
Quando o agronegócio nacional resolve apresentar seus produtos no exterior - seja por meio de eventos, publicidade ou campanhas - as frutas sempre aparecem como um atrativo para prospectar novos mercados. Coloridas, saudáveis e atraentes, elas são a cara do Brasil e têm características interessantes para incrementar as exportações brasileiras. No mundo natural e sustentável em que vivemos, comer frutas significa bem-estar, mais qualidade de vida.
Mas mesmo com todo esse potencial, o País ainda patina nas exportações quando comparado aos seus principais concorrentes. Uma publicação recente feita pelo Hortifruti Brasil, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo), aponta que o Brasil está longe do topo do ranking, mesmo produzindo frutas doces, bonitas e de excelente qualidade.

Quando somados os embarques das principais frutas produzidas por aqui - manga, melão, lima/limão, uva, mamão, melancia, banana e maçã - o País ocupa apenas o 16º lugar no ranking dos principais exportadores, com um valor de US$ 600 milhões anuais. Quem encabeça a lista é o país do hambúrguer e do fast food: os EUA movimentam US$ 2,8 bilhões, seguido do Equador (US$ 2,7 bi) e China (US$ 2,4 bi). O cálculo foi feito com base em dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).
Tanto potencial, mas que esbarra em falta de competitividade. Mesmo estados do Nordeste, onde estão concentradas as principais produções - principalmente de frutas tropicais - sofrem com a falta de estruturação. Já estados como o Paraná, a situação fica ainda mais complexa. Mesmo com uma exploração de mais de 30 variedades por todo o território, faltam políticas públicas e estratégia para incrementar o VBP (Valor Bruto de Produção) do segmento e, no futuro, enviar essas frutas com volume e constância para o exterior.
De acordo com a pesquisadora do Cepea, Marcela Guastalli Barbieri, o Brasil pode seguir alguns exemplos que têm dado certo, caso da exportações de mamão e da manga. Com receita de US$ 31 milhões, o Brasil é o 2° maior exportador, ganhando espaço frente ao México e Equador. Isso aconteceu devido a um ganho de competitividade, graças a itens como profissionalização, tecnologia, calendário de oferta e demanda cativa da UE (União Europeia).
Já a manga segue e mesma tendência e gera receita ao País de US$ 180 milhões. O Brasil é o 5º maior exportador e nos últimos anos investimentos em irrigação, produção precoce, adoção de novas variedades, além de uma oferta constante e expansão da demanda da UE e EUA. "As nossas frutas que têm exportação significativa frente ao mundo são as chamadas frutas de nicho, caso do mamão, manga e melão. Os volumes não são tão grandes, mas são exclusivas, tropicais e vão principalmente para UE, para clientes que já conhecem e estão interessados em qualidade de vida", explica a pesquisadora.
A publicação aponta ainda que os fatores que influenciam na competitividade internacional de um País são a economia (taxa de câmbio e crescimento econômico), recursos e infraestrutura, condições governamentais (iniciativas de governo) e gestão. Barbieri explica que os principais gargalos que são enfrentados pelos exportadores nacionais são justamente infraestrutura e logística precárias, pouca promoção das frutas e ausência de novos acordos bilaterais. "É preciso estar atrelado a órgãos que incentivam o consumo das frutas, além da promoção delas no mercado internacional."


