Maracujá, banana, uva, pupunha e muito abacaxi. Essas são as frutas que o produtor João Eudes de Souza, do município de Guaíra (158 km ao norte de Cascavel) cultiva em sua propriedade. Apesar de todas contribuírem com a renda familiar, ele confessa: ''O abacaxi é o carro chefe''.
Souza começou plantando três mil pés de abacaxi há dois anos e desde então a produção só tem proporcionado benefícios. Hoje ele possui 15 mil pés, na propriedade de 7 alqueires. ''Sempre fui amante da agricultura orgânica. Como somos pequenos produtores, precisamos sempre renovar. A plantação de abacaxi dá um pouco de trabalho, mas na hora de colher é compensador pois rende um bom dinheiro''.
A facilidade que Souza encontrou para o cultivo do abacaxi não foi por acaso. Há cerca de 4 anos um projeto do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), financiado pela Itaipu estimula e acompanha a produção de frutas tropicais naquela região. Ao todo são onze unidades atendidas pelo projeto, quatro no município de Santa Helena e sete em Guaíra. Além de disponibilizar tecnologia e insumos, o projeto viabiliza treinamentos para que os produtores possam cultivar as frutas de maneira adequada, evitando pragas ou qualquer outro tipo de desperdício.
Mesmo com uma comercialização ''interessante'' da fruta in natura, O produtor João Eudes de Souza prefere a venda da polpa por garantir uma renda melhor. ''Como não trabalho em feiras e não tenho pontos fixos de venda do abacaxi, acabo atendendo apenas alguns clientes já formados. Por isso, a polpa se torna mais viável e lucrativa'', diz Souza.
Dependendo da época, Souza vende o abacaxi de R$ 1,50 a R$ 2,00 a unidade. Com a mesma fruta ele consegue fazer de três a quatro saquinhos de 300 ml de polpa e consegue obter até R$ 5,00. ''Vendo cada saquinho por R$ 1,50. As pessoas procuram bastante. Vendo também para escolas, lojas e prefeitura'', comenta Souza.
Já o produtor Henrique Muller, de Santa Helena (113 km ao norte de Foz do Iguaçu), está apostando no cultivo do abacaxi como mais uma opção de renda na propriedade de 10 alqueires. No início do ano ele destinou uma pequena área para a cultura, onde foram plantados 10 mil pés de abacaxis. Mesmo com a tradição e a experiência que possui com as culturas de soja e milho, ele tem a expectativa de que a fruta se torne a principal fonte de renda da propriedade, principalmente pelo fato da plantação não exigir grandes áreas. ''Com soja e milho só ganha dinheiro quem tem grandes áreas. Com o abacaxi não tem esse problema. Além disso, aqui é uma região de clima quente, o que vai ajudar muito. Estou confiante'', diz.

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