Abacate, amora, banana, cana, pupunha. Com essas delícias o produtor Ademir Braz Martins alimenta as capivaras, os jacus e os quatis que moram na mata do sítio Belo Horizonte, em Piquirivaí. Defensor das causas ambientais, o pai do agricultor abandonou a mata já existente na propriedade quando a comprou em 1974. ''Para preservar as espécies nativas e regulamentar a reserva legal fomos plantando novas árvores frutíferas para os bichinhos comerem'', conta Martins. ''Se eles estão bem alimentados, não precisam buscar comida na lavoura'', completa.
Plantio direto, rotação de culturas, monitoramento da lavoura, uso racional de agrotóxicos são ações primordiais no manejo do sítio. Segundo o produtor, o uso da vespinha no controle do percevejo e do baculovirus para combater a lagarta reduziu significativamente o uso de veneno na lavoura. ''Com a vespinha não precisei aplicar nenhum produto, enquanto que com o monitoramento da ação do baculovirus na lagarta a aplicação de veneno foi feita apenas quando necessária'', diz.
Como a maioria dos agricultores envolvidos no projeto da microbacia do Rio do Campo, Martins faz a tríplice lavagem das embalagens de agrotóxicos antes de entregá-las à central de recolhimento. ''Antes utilizávamos o abastecedor comunitário na pulverização de veneno. Hoje a água é de um poço artesiano próprio'', ressalta.
De acordo com o produtor, a preservação da mata ciliar garantiu boa umidade às terras no período em que a estiagem comprometeu a produção nacional, no início do ano. ''Aqui a seca não foi tão forte, tanto que obtive a média de 148 sacas de soja na última safra de verão'', declara. Segundo o produtor, a soja reagiu bem à primeira chuva, ''pois mesmo murcha na superfície, tinha força na raiz''.
Mais do que obedecer a lei de preservação ambiental, Martins pensa no futuro. ''Se não preservarmos vai chegar uma hora em que não teremos mais água. Ai tudo estará acabado. Destruir a natureza é destruir a si mesmo'', adverte. (M.G.)

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