Em janeiro do ano passado a Assessoria de Comunicação do Ministério da Agricultura anunciou que ‘‘a partir de fevereiro de 98’’ os produtores de frutas que seguissem ‘‘regras fitossanitárias pré-estabelecidas’’ poderiam usar na comercialização de seus produtos um selo de qualidade, para garantir aos consumidores que aquele era um produto de alto padrão. Porém, a situação ainda está indefinida.
Os principais objetivos do certificado de inspeção vegetal, no momento, são garantir a proteção dos produtos contra a mosca-das-frutas (o conhecido bicho-de-goiaba) e proteger os consumidores contra agrotóxicos. O mercado internacional teme a ‘‘importação’’ (na forma de ovos e/ou larvas escondidos nas frutas) da mosca e não aceita resíduos de venenos nas frutas que importa. Estes são os maiores limitadores das exportações de frutas brasileiras, segundo o coordenador de proteção de plantas do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro. No Paraná, que ainda importa a maior parte das frutas que consome, o engenheiro-agrônomo Paulo Fernando de Souza Andrade, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), gostaria de um selo que identificasse os produtos do Estado, começando, por exemplo, pelas bananas do Litoral.
Europeus e americanos já importam melão brasileiroMissões técnicasA exigência é tanta, no mercado internacional, que no dia 14 de dezembro uma técnica do Ministério da Agricultura e da Universidade de São Paulo (USP) viajou ao Japão, para explicar quais são as medidas sanitárias adotadas no Brasil, para garantir a qualidade da fruta. Os japoneses querem comprar mangas brasileiras, mas exigem primeiro informações sobre como é o tratamento hidrotérmico (com água quente) contra as larvas da mosca-da-fruta.
Ribeiro informou ainda que, neste ano, um grupo técnico americano virá ao Brasil, para verificar como será garantida a sanidade da lima ácida - uma espécie de limão - que os Estados Unidos poderão vir a importar do Piauí.
Japoneses estão interessados em comprar manga do Brasil, mas querem garantia de sanidadeEm 1998, lembra o coordenador de proteção de plantas do Ministério da Agricultura, ‘‘foi aberto um importante mercado para o mamão brasileiro’’: os EUA. Porém, por enquanto, aquele país importa mamão apenas do Espírito Santo. A Europa é a principal importadora de frutas brasileiras. Os europeus compram manga, maracujá e melão. Os EUA também importam melão.
As normasO certificado de inspeção vegetal dá ao produtor de frutas acesso ao selo de qualidade, que não é obrigatório. Quem quiser o selo, deve requerê-lo à Delegacia Federal da Agricultura ou à Comissão de Defesa Sanitária Vegetal do seu Estado, para elaborar os parâmetros. No Estado que não tem Comissão de Defesa Sanitária Vegetal, existe a Comissão do Programa Nacional de Controle da Mosca-das-Frutas.
ArquivoO Brasil exporta mamão para os EUA, que por enquanto compram apenas do ES‘‘O selo é uma garantia para o consumidor e para a abertura de mercados para as frutas brasileiras’’, diz Odilson Ribeiro. Como para cada Estado existem parâmetros específicos, somente depois de publicadas essas normas a Delegacia Federal da Agricultura fornece o selo ao produtor interessado. No Paraná esse programa é desconhecido, até mesmo na Delegacia do Ministério da Agricultura.
Para receber o selo, os agricultores teriam que provar, entre outras coisas, a ausência de contaminação do produto pela mosca-das-frutas, e de índices de resíduos de agrotóxicos e contaminantes prejudiciais ao ser humano. Segundo o ministro da Agricultura, Arlindo Porto, o selo visa proteger tanto a saúde do consumidor quanto quem produz frutos de qualidade. A adoção da medida no Brasil permitiria, ainda, que o selo passasse a ser exigência para a importação de frutas.
QualidadeO agrônomo do Deral, Paulo Fernando de Souza Andrade, defende um trabalho sobre a qualidade, não apenas das frutas, mas também das embalagens, para no mínimo identificar sua origem; quem produziu, para o consumidor identificar, na gôndola do mercado, os produtos paranaenses e criar o hábito de consumí-los. O técnico acha que o Estado não deve depender da importação de frutas, que muitas vezes são até de baixa qualidade.
Mas, ressalva, o selo deveria ser aplicado a outros produtos também. O selo, ao identificar a origem, daria primeiro, ao consumidor do Estado, a informação de que aquele é um produto paranaense, e no caso de exportação, mostraria que a banana na gôndola de um mercado europeu foi produzida no Paraná.PotencialBanana é uma das possibilidades de mais divisas externas para o Estado do ParanáJota Oliveira

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