Não é apenas na ergonomia que as fabricantes de máquinas agrícolas precisam estar focadas, mas também nos ruídos emitidos por elas. Um estudo apresentado no Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola (Conbea), realizado em Fortaleza, no ano passado, avaliou o nível de ruído de 14 máquinas agrícolas. Dentre as testadas, de diferentes marcas, potências e anos de fabricação, apenas duas não ultrapassaram os 85 decibéis exigidos pela legislação para as oito horas de operação.
O professor de mecanização da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) Paulo Roberto Arbex Silva salienta que o resultado é preocupante, pois grande parte dos operadores utiliza Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como protetores auriculares. "Agora são necessários mais estudos, mais dados e mais fiscalização, até para que a norma seja cumprida", sugere.
Outros aspetos também precisam ser levados em conta, já que a frota brasileira de máquinas agrícolas é antiga. Segundo Silva, 50% das colheitadeiras que são utilizadas no País têm mais de dez anos de uso. No caso dos tratores, o índice sobe para 65%. "Nessas máquinas, o posicionamento de câmbio era entre as pernas do operador, que precisava abaixar para trocar de marcha. Além disso, a embreagem era muito pesada, difícil de ser trocada. As condições, para certos tratores, eram insalubres."
Um caso que mostra bem o que ocorre em tratores sem cabine, por exemplo, trata da temperatura. Dados preliminares do Trabalho de Conclusão de Curso do aluno da FCA Luis Eduardo Stefanelli apontam que em tratores sem cabine ou capota, as temperaturas podem chegar a 50ºC no posto do operador.
Por fim, Silva comenta que em alguns casos não há alternativa, é preciso trocar o maquinário para evitar problemas ergonômicos e melhorar a segurança do produtor. "Existe um ponto de renovação da frota. O produtor precisa retirar o valor sentimental que tem pela máquina e começar a analisar o custo benefício de tudo isso. Quando fizer a conta, vai ver que está perdendo dinheiro. O financiamento, inclusive, pode ficar mais barato que a manutenção, sem contar o melhor rendimento de máquina nova." (V.L.)

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