Fronteiras fechadas até dezembro
Vânia Casado
De Curitiba
Os exames de sorologia nos Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste começam oficilmente no dia 1º de agosto e deverão ser realizados até 30 de dezembro. A sorologia vai detectar a ausência do vírus da febre aftosa no rebanho bovino e bubalino, para que a região consiga o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa. Neste período, o Ministério da Agricultura vai determinar o fechamento de fronteiras interestaduais entre estados e áreas que estão reivindicando a condição de área livre e as zonas consideradas tampão. O Estado do Mato Grosso do Sul, que registrou caso de febre aftosa recentemente, as ilhas do Rio Paraná, região norte do Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, foram consideradas áreas tampão, que não estão aptas ainda a obter o reconhecimento internacional de zona livre da febre aftosa. Estão incluídos no Circuito Pecuário Centro-Oeste os Estados do Paraná, São Paulo, parte de Minas Gerais, parte de Goiás e o Distrito Federal. O maior impacto do fechamento das fronteiras deverá ocorrer para o Mato Grosso do Sul, cujos pecuaristas vendem cerca de 1,2 milhão de cabeças por ano entre animais para cria, recria e engorda principalmente para o Estado de São Paulo, um mercado avaliado em R$30 milhões anuais.
ImpactosPara evitar maiores prejuízos por parte de frigoríficos paulistas que completam suas escalas de abate com o rebanho oriundo do MS, foi divulgada uma portaria ministerial que permite o trânsito de animais provenientes das zonas tampão, apenas para o abate em frigoríficos com inspeção.
Para o Paraná, o impacto não deverá ser tão grande porque a produção interna é suficiente para atender a demanda dos frigoríficos, afirmou Gustavo Fanaya, assessor do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná (Sindicarnes). Segundo ele, apenas 65 mil cabeças provenientes do Mato Grosso do Sul, entram todo mês no Paraná para abate.
O trânsito de animais oriundos das zonas tampão será previamente inspecionado por fiscais da Inspeção Federal, que vão lacrar a carga. Ela será reaberta somente no frigorífico indicado, que também tenha inspeção federal, e na presença dos fiscais. Temendo uma reviravolta na portaria, pecuaristas matogrosensses já enviaram cerca de 4 milhões de cabeças, gado para ser terminado em território paulista. Se o Ministério decidir suspender a portaria e proibir de vez o trânsito de animais mesmo depois de iniciada a sorologia, o rebanho previsto para o abate em São Paulo no segundo semestre já se encontra no Estado.
EspeculaçãoA medida provocou uma especulação imobiliária para o arrendamento de terras na região de pastagens, admitiu o presidente do Sindicato Rural de Junqueirópolis (SP), José Matheus Granado. O arrendamento aumentou entre 15% a 18% sobre o valor da arroba do boi, para atividades de recria e engorda.
Já o trânsito de animais para exposições e leilões estará totalmente proibido, a partir de 1º de agosto. Os pecuaristas admitem que vão ocorrer prejuízos, porque a proibição no trânsito de animais vai prejudicar a comercialização. Mas concordam que esse é o preço a ser pago para que os Estados consigam o reconhecimento de área livre e com isso possam exportar a carne produzida nos mercados mais valorizados da Europa e Estados Unidos.
A empresária londrinense do setor de leilões e exposições, Neusa Soni, também confirmou que o fechamento de fronteiras vai prejudicar o mercado de leilões e exposições com gado de elite. Segundo ela, as exposições cuja característica principal prevê a participação de gado zebuíno como o nelore perderão o brilho, já que animais oriundos do MS e algumas áreas de MG e GO não poderão participar. Em compensação, as exposições de gado europeu sairão ganhando porque o Ministério da Agricultura vai permitir a reabertura das fronteiras com os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde se concentra o gado de elite das raças européias. A abertura de fronteiras com a região sul será permitida somente após o fim dos exames de sorologia.
Em todo o caso se for esse o preço a pagar, acho que os pecuaristas estão conscientes do sacrifício disse a empresária. Segundo ela, ao mesmo tempo que a portaria ministerial prejudica o mercado, moraliza o setor, obrigando os demais Estados que ainda não conseguiram atingir a condição de área livre que façam campanhas de vacinação em massa de seus rebanhos. Não é possível o Brasil ainda conviver com zoonoses tão antigas como febre aftosa, justificou.
Neusa Soni, que está fazendo assessoria para a empresa Programa Leilões, de Londrina, lamentou o fato de não poder contar com a participação dos pecuaristas paranaenses nos eventos realizados em outros Estados. Ela classificou os paranaenses como bons compradores, mas quando vigorar o fechamento de fronteiras eles não poderão ir para outros Estados fora da área livre para comprar animais, pelo menos por enquanto. Após a sorologia, o trânsito de animais será permitido mediante um prazo de quarentena sob a responsabilidade técnica da Vigilância Sanitária.O trânsito de animais no Circuito Pecuário Centro-Oeste estará impedido
durante sorologia do rebanho
ArquivoMedida não terá muito impacto sobre o rebanho do Paraná porque produção interna abastece frigoríficosVacina Portaria vai obrigar demais estados que não estão na área livre de aftosa a vacinar em massa seus rebanhos





