Fronteira ampliada no combate à aftosa
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Depois de vencer os surtos de febre aftosa, o Rio Grande do Sul investe agora na ampliação da fronteira epidemiológica no combate da doença. Desde julho passado, técnicos do Brasil e do Uruguai realizam trabalhos conjuntos de vigilância e controle.
Segundo o veterinário responsável pelo Setor de Combate à Febre Aftosa, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), Antônio Carlos Ferreira Neto, na primeira quinzena de setembro, o trabalho conjunto deve ser firmado também com o governo da Argentina. ''Pertencemos a uma mesma região de comercialização, por isso, precisamos conhecer o que ocorre em cada País'', justifica. O projeto foi apresentado a autoridades do Paraná e Santa Catarina,
Ferreira Neto conta que, depois dos surtos ocorridos em 2000 e 2001, o Estado havia perdido o status de área livre da doença sem vacinação. Em novembro de 2002 eles readquiriram o status de área livre mas, agora, com vacinação. O programa de combate à doença prevê dois períodos de imunização: em janeiro e fevereiro é vacinada toda a população bovina e bubalina do Estado; em maio e junho ocorre um período de revacinação de todos os animais com até 24 meses de vida.
O primeiro surto da doença ocorreu em agosto de 2000, no município de Jóia e outros três municípios vizinhos. Naquela época foram sacrificados mais de 11 mil animais, enterrados em valas sanitárias. Em maio de 2001 o surto voltou a ocorrer, dessa vez na região de Livramento. Desde que foram registrados os surtos até novembro do ano passado, quando se readquiriu o status de área livre, toda movimentação de animais no Estado só era permitida com o cumprimento de uma quarentena.
No mercado externo, como destaca Ferreira Neto, a comercialização de animais é mais rentável quando se possui a certificação da ausência da doença sem o uso de vacinas. Mas, após o susto, o veterinário diz que estão mais cautelosos. ''A garantia será maior se as ações de controle forem únicas em toda a região'', destaca. Para isso é preciso o envolvimento, além do Uruguai e da Argentina, da Bolívia e do Paraguai.
Ferreira Neto explica que, para mercados como o dos Estados Unidos, o uso de vacina indica que há a presença do vírus no País. Por isso, os americanos só compram a carne brasileira industrializada. O veterinário destaca que, para provar que estão livres da doença, a partir do dia 15 de setembro, iniciam um levantamento monitorado da sorologia de aftosa, com a coleta de sangue de todo o rebanho bovino e bubalino. ''É um dos passos para no futuro pleitearmos novamente a certificação de área livre sem vacinação'', justifica.
Em todo o território nacional, de acordo com Ferreira Neto, apenas o Estado de Santa Catarina possui a certificação sem o uso de vacina. Não é permitido, assim, a entrada de animais vindos de outros estados, mas apenas o trânsito de bovinos. Para isso, o ministério determinou apenas seis rotas de transporte, mas é preciso ainda que a carga esteja lacrada e o percurso esteja identificado no verso da Guia de Transporte Animal (GTA).


