Maringá - A Cocamar está importando polpa de pêssego do Chile e Argentina para suprir as necessidades de sua indústria de sucos, mas informa que pretende incentivar a produção local, oferecendo mais uma opção de renda aos associados.
  Fundada há 40 anos, a Cocamar está envolvida em um novo projeto com o objetivo de alavancar a fruticultura. O primeiro passo para a concretização deste projeto foi tomado com a inauguração, em abril deste ano, da indústria de sucos, inclusive com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
  Em sete meses, a indústria já contabiliza algumas conquistas e está no auge da produção estimada para este primeiro ano. Até abril de 2004, a indústria de sucos da Cocamar deve consumir um milhão de quilos em polpa de frutas. A maior parte desta matéria-prima é comprada no interior de São Paulo.
  O mercado é promissor e a prova disso é o aumento de produção e do espaço dos sucos com a marca Purity nas prateleiras dos supermercados.
  A inauguração da indústria de sucos antes de ter a produção da matéria-prima assegurada na região, foi uma iniciativa ‘‘até proposital’’ da cooperativa. De acordo com o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço o mercado de sucos é emergente no Brasil e a cooperativa tinha todas as condições para estar produzindo este produto mesmo sem a matéria-prima necessária.
  Além disso, o objetivo da cooperativa é desenvolver um projeto que beneficie o pequeno agricultor, dando a ele condições de produzir não só a fruta que é utilizada pela indústria - que é uma fruta de qualidade inferior - como também a fruta de boa qualidade que atenda às exigências do mercado in natura. ‘‘Se o agricultor for produzir manga, uva, goiaba ou morango apenas para a indústria não é interessante porque o pequeno produtor precisa de um produto para agregar valores e ter uma renda melhor’’, explica Lourenço.
  O preço da fruta in natura é mais interessante ao produtor, mas para ele obter este tipo de resultado é imprescindível que todas as recomendações técnicas sejam cumpridas à risca para a obtenção da fruta de qualidade.
  O objetivo é dar condições para que o pequeno produtor possa aderir ao projeto com uma boa margem de segurança. É claro que os riscos sempre irão existir, mas o interessante, segundo Lourenço, é de que estes riscos sejam os menores possíveis. Para isso, a Cocamar, embora tenha o projeto já idealizado, ainda depende de algumas iniciativas.
  A contrapartida do governo do Estado por exemplo, é fundamental para a implantação da fruticultura na região. A idéia é conseguir subsídios ao agricultor e total assistência técnica para que ele possa desenvolver lavouras rentáveis.
Processo lento - Uma preocupação na implantação da fruticultura, conforme Lourenço, é quanto à qualidade das mudas. ‘‘Já vi projeto de fruticultura não vingar por causa da muda de má qualidade e isso nós não queremos para nossos associados’’, esclarece. Ele ressalta que o processo de implantação da fruticultura na região é lento, mas a exemplo da laranja, tem tudo para se desenvolver com excelentes resultados para o pequeno produtor.
  A principal vantagem do projeto encampado pela Cocamar e que deverá contar com parcerias, é que o produtor terá a garantia de entrega do sub-produto e terá toda asssitência técnica necessária para a produção de frutos também com excelente qualidade e em condições de exportação.
  De acordo com Lourenço, a Cocamar estará apoiando e pesquisando no mercado internacional quais os países com demanda das frutas que serão produzidas na região. Outra idéia do projeto é incentivar os agricultores a se organizarem em associações ou mini-cooperativas para industrialização das polpas de frutas. Sem tantas obrigações, os pequenos terão condições de comercializar os produtos a preços acessíveis. Além disso, os resíduos do processo de industrialização para a retirada da polpa deverão ser utilizados pelos próprios produtores como ração para animais.
  Pretendemos incentivar a diversificação da lavoura nas pequenas áreas e a fruta seria mais uma cultura’’, explica Ademir Volpato, coordenador técnico de café e citros da Cocamar. Entre os 6.500 associados, 75% são pequenos. A maioria enfrenta dificuldade e não tem boa produtividade. O projeto da Cocamar, conforme Volpato, tem um cárater social. ‘‘Seria cômodo para a Cocamar continuar comprando matéria-prima de outros centros, mas queremos motivar e dar oportunidade aos nossos produtores’’, assegura.

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