Frio traz doenças respiratórias
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sexta-feira, 28 de junho de 2002
Lucinéia Parra<BR>Equipe da Folha 
Maringá - As baixas temperaturas nesta época do ano exigem cuidados especiais com os animais que, assim como os seres humanos, acabam ficando mais vulneráveis às doenças respiratórias. Manter o ambiente mais aquecido no caso das aves e suínos é uma das dicas para que o produtor não tenha surpresas desagradáveis. Outro fator importante é quanto à alimentação. Além de balanceada, é fundamental que os animais sejam alimentados com fartura, evitando a perda de peso e prejuízos na hora da comercialização.
As aves são mais sensíveis ao frio e requerem cuidados básicos como a manutenção da temperatura média de 33 graus centígrados no pinteiro. A instalação de termômetros em todo barracão é fundamental para detectar a real temperatura em toda extensão do pinteiro.
Além do círculo de proteção, é indicado o uso de chapas de alcatex para aquecer o barracão. À medida que a ave adquire maturidade, são dispensados os cuidados específicos. Um frango com 20 a 25 dias, por exempo, não exige tantos cuidados, mas conforme orienta a médica veterinária Suelen Regina Ferreira, é preciso ficar atenta para as doenças típicas da época, como a ascite que ocorre quando há variações drásticas de temperatura. Para doenças infecciosas, como a bronquite, por exemplo, o mais indicado mesmo são as vacinas.
Os suínos também são sensíveis ao frio, especialmente os leitões com idade até 28 dias. Para estes bebês o indicado é a criação de um ambiente mais aconchegante, identificado como maternidade, que nada mais é do que a instalação de escamoteador na frente ou na lateral do abrigo, feito com madeirite, que separa os filhotes da porca.
Na maternidade, o indicado é de que a temperatura ambiente seja em torno de 32 graus na primeira semana, 30 graus na segunda semana e entre 27 a 28 graus na terceira semana de vida do animal. A partir da terceira semana, o ideal é que a temperatura fique em torno de 25 graus.
Existem, de acordo com o veterinário José Maurício Gonçalves dos Santos, vários sistemas de aquecimento da maternidade. Um deles é a colocação de lâmpadas infra-vermelha 250 wats que deve permanecer ligada 24 horas por dia no inverno.
Outras opções são a instalação de resistores de 250 a 400 wats ou piso aquecido, que consiste na colocação de placas com resistores embutidos com controle de temperatura que liga e desliga de acordo com a temperatura ideal. A vantagem do piso aquecido é que os sensores permitem economia de energia elétrica, uma vez que não ficam ligados o dia inteiro.
Manter a alimentação adequada e em quantidade ideal é o grande desafio dos pecuaristas nesta época do ano. Conforme o veterinário Luiz Carlos Capovilla, os bovinos tanto de corte como leiteiro são bastante resistentes ao frio, mas o grande problema, durante o inverno, é a escassez de alimento.
Segundo o professor Ivens Guimarães, da UEL, a ascite provoca o acúmulo de líquido do sangue em cavidades corpóreas das aves. O abdômen e pulmões são os órgãos mais atingidos, e o quadro crítico pode levar a formação de edemas pulmomares e outras doenças oportunistas, em decorrência da proliferação de bactérias. A queda da temperatura estressa as aves, o coração funciona de forma acelerada e o transtorno gera diversos problemas circulatórios, desequilibrando todo o processo de desenvolvimento, explicou Guimarães.
O aquecimento tem que ser bastante criterioso, porque não basta apenas ter a sensação que o animal está aquecido, acrescentou. Dependendo do tipo de aquecimento, o ar fica rarefeito, havendo diminuição de oxigênio. ( Colaborou Ana Paula Nascimento).


