Frigoríficos em expansão no Oeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de dezembro de 1996
Paulo Pegoraro<br>Sucursal de Cascavel 
A Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel) está atingindo seu recorde de abate de frangos no frigorífico instalado há dois anos no Distrito Industrial de Cascavel, com 120 mil cabeças ao dia. O volume é próximo da capacidade total de abate, de 140 mil cabeças, que segundo projeções iniciais seria alcançado apenas no final de 1988, informa o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli. Na cidade de Toledo, o grupo Frigobrás/Sadia colocou em operação no final da semana passada uma nova unidade de produção de presuntos, para produzir mais 12 mil toneladas anuais.
Além dos empregos diretos que ofertam em suas unidades industriais, com elas as duas organizações estimulam diretamente a produção da matéria-prima, inclusive através do sistema de integração. Este estímulo não se reflete apenas na pecuária, porque para produzir os animais, há necessidade de maior oferta de grãos para sua alimentação. O presidente da Coopavel observa que a ordem, hoje, na economia competitiva, é a verticalização, com transformação da proteína vegetal em proteína animal, o que agrega valor considerável à produção.
Cortes Na Coopavel, a verticalização segue projeto discutido há quatro anos entre diretoria e cooperados. Além do volume de abate de frango ter crescido significativamente, no frigorífico também é recorde a produção de cortes (chegando a 80%) destinados ao mercado interno e à exportação. Neste caso, cortes especiais exigidos pelo mercado de outros países. Isto significa que apenas 20% das aves abatidas pelo frigorífico da Coopavel estão sendo comercializadas inteiras. Dilvo Grolli observa que comercializar cortes acrescenta receita significativa, em relação aos frangos inteiros.
Entre os cortes exportados estão peito, coxa, sobrecoxa e coxinha da asa do frango. Os principais mercados externos da Coopavel são o Japão e Hong-Kong, mas Dilvo Grolli diz que outros começarão a ser abertos logo, além da ampliação do próprio mercado interno. A avaliação da Coopavel é de que este ano será completado com aumento de 70% no abate. Os resultados são divididos entre os cooperados, mas também com o Poder Público, frisa o presidente, lembrando que o frigorífico de frangos gerou, até aqui, durante o ano, R$ 4 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias.
Além disto, quatrocentos trabalhadores foram contratados este ano, somando-se a outros 450. A Coopavel já integra quatrocentos avicultores, que garantem o abastecimento ao frigorífico, segundo o gerente de Integração Avícola, Jair Luis Casarotto. Os integrados geralmente cuidam de aviários com 12 mil cabeças, com ciclo de produção de 42 dias, com pintainhos, ração e assistência técnica da cooperativa. Além comercializarem as aves, sobra-lhes o adubo, para emprego em culturas complementares desenvolvidas nas propriedades.
O sistema de integração deverá ser ampliado em 97, com um inevitável aumento da capacidade final do frigorífico (inaugurado no final de 94), além das 140 mil cabeças já atingidas. A Coopavel está investido R$ 32 milhões no Distrito Industrial de Cascavel, em um complexo frigorífico cuja planta integral deverá estar completada até 1999, compreendendo também o abate de 1,2 mil cabeças de suínos e duzentas cabeças de bovinos. Os R$ 32 milhões deverão sair integralmente do próprio caixa da cooperativa, sem recorrer a financiamentos, observa Dilvo Grolli.
A consequência será a geração de cerca de 4 mil empregos indiretos no campo, nos três segmentos. Diretamente, nos frigoríficos, serão pelo menos mil empregos. A Coopavel deve fechar 96 com um faturamento global de R$ 165 milhões - o dobro em relação aos últimos dois anos - e terá gerado mensalmente cerca de R$ 600 mil em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Quando as três unidades estiverem operando plenamente, o faturamento global deve ser de cerca de R$ 213 milhões ao mês. A Coopavel foi fundada há 25 anos e tem quatro mil associados em vários municípios da região.
Sadia O grupo Frigobrás/Sadia ampliou sua planta industrial de Toledo, o que permitiu passar de 18 mil toneladas anuais de presuntos para 30 mil toneladas. O investimento é de R$ 9 milhões, em máquinas e edificação de 3.400 metros quadrados, nesta que é a segunda fábrica de presuntos do grupo - a primeira foi instalada em Concórdia (SC). O grupo empresarial terá acréscimo de US$ 50 milhões anuais no faturamento, e foi estimulado à ampliação por causa da crescente demanda de produtos nos últimos anos.
Entre 93 e 96, as vendas cresceram 40%, e a presuntaria tem a maior participação no faturamento líquido do segmento de industrializados, com 19%. De janeiro a setembro representou 7% de todo o faturamento. Este crescimento foi impulsionado por uma campanha de propaganda, com US$ 2,6 milhões gastos com televisão no primeiro semestre. A nova estrutura de produção inaugurada tem equipamentos de última geração, importados dos Estados Unidos da América e Europa, para produção de presunto cozido com e sem capa de gordura e apresuntado no tamanho adequado para fatiamento.
Outros itens da presuntaria de Toledo, como presunto defumado, especial de pernil e fiambre, continuam saindo da primeira fábrica, instalada em 92. O complexo industrial da Frigobrás/Sadia em Toledo distribui-se por área construída de 127,9 mil metros quadrados, e garante cerca de 4.5oo empregos. O grupo teve origem na empresa Sadia - nome pelo qual é mais conhecido - , fundado em 44 em Concórdia, no Oeste catarinense, pelo descendente de imigrantes italianos Attilio Fontana (falecido em 89).
O grupo é constituído atualmente por 14 empresas, com 24 plantas industriais em vários Estados - no Paraná, em Toledo e Dois Vizinhos, na Região Sudoeste - responsáveis anualmente por 1,5 milhão de toneladas de produtos alimentícios, e empregando 32 mil pessoas. De seu faturamento anual, de US$ 3 bilhões, US$ 450 milhões vêm de exportações. O nome Sadia é formado pela junção de S/A com as últimas três letras de Concórdia. Outra curiosidade é que o grupo mantém uma churrascaria em Pequim, na China.


