Maringá - Com uma produção praticamente voltada ao mercado internacional de carnes, o Frigorífico Amambai, localizado em Maringá na saída para Paiçandu, é um dos exemplos no Estado de empresas do setor que se prepararam para a exportação.
Há sete anos, o Amambai exporta para a Rússia, países da Europa, Ásia, Oriente Médio e, na América do Sul, para o Chile. Segundo o responsável pela exportação do frigorífico, João Martins, a colocação da carne brasileira no mercado externo exige conhecimento das necessidades da indústria e dos consumidores estrangeiros.
Martins citou como exemplo o fato de que na Rússia, o produto brasileiro é quase todo direcionado à indústria, porque naquele país o consumidor tem o hábito de comer a carne em forma de salsichas, mortadelas e hambúrgueres.
Já na Europa, a preferência é pelos cortes do traseiro para a venda direta ao consumidor. Martins é médico veterinário e especialista em indústria de exportação. ''Para este trabalho de conhecimento de mercado é preciso profissionais com capacitação especializada'', disse.
Conforme Martins, os governos estadual e federal iniciaram um projeto de estímulo ao crescimento do setor agropecuário e de consolidação a favor do mercado brasileiro de carne.
O projeto inclui a divulgação da carne brasileira por meio de revistas especializadas e programas de visitas de formadores de opiniões de outros países no Brasil. ''Vemos agora um empenho não só da iniciativa privada como também do governo, tanto federal como estadual pelo fortalecimento do setor'', afirmou o especialista.
Além de mercados já consolidados, como da Europa e Oriente Médio, o Brasil pode começar a buscar, segundo Martins, a exportação para a Argélia (África) e China.
No caso da Árgelia, a abertura de mercado ainda está sendo desenvolvida porque depende da resolução de problemas técnicos mais ligados à burocracia de documentos exigidos por aquele país para o recebimento do produto brasileiro.
Martins disse ainda que a China também pode ser um novo mercado consumidor da carne brasileira, caso sejam vencidas questões diplomáticas.
O especialista afirmou que o Paraná ainda convive com dois extremos na produção da matéria-prima, cuja demanda de mercado recai em novilhos cruzados. ''O Estado tem excelentes animais, mas o outro extremo está nos produtores com práticas arcaicas de criação do rebanho'', disse Martins.
Ele considera que iniciativas como de classificação das carcaças colaboram para a produção quantitativa e de qualidade da carne, o que pode resultar em uma remuneração melhor ao produtor.

mockup