Curitiba - A avicultura e a suinocultura, que vinham trabalhando no vermelho até meados desse ano, adotaram medidas estratégicas para sairem da crise, como redução da oferta. As cotações até que reagiram e esses setores ficaram na expectativa de que iriam sair do vermelho. Mas esse esforço foi atropelado pela alta do dólar e seu reflexo no milho, que já vinha onerando os custos dos dois setores. As cotação começaram a explodir no mercado, minando qualquer tentativa de superação de crises. A cotação do milho iniciou a semana em R$ 21,00 a saca.
Esta semana, diante do agravamento da crise, produtores pressionaram a Conab que abriu o jogo: disse que seu estoque é baixo e só garante atendimento
até o final do mês. Os estoques da Conab, 11,7 mil t. estão no Oeste e Sudoeste.
A avicultura, que enfrentou o auge da crise entre junho e julho, adotou uma posição radical e o setor decidiu reduzir o alojamento de pintinhos em 15%. Empresários e produtores de suínos, que foram flagrados pela crise principalmente entre os meses de agosto e setembro, decidiram por adotar campanhas de incentivo ao aumento do consumo e redução de matrizes.
As medidas ajudaram os setores a reagirem timidamente. No auge da crise, o quilo do frango vivo vendido pela indústria estava cotado entre R$ 1,10 e R$ 1,20 o quilo. Em seguida as cotações reagiram no mercado para R$ 1,50 o quilo e, recentemente, reagiram um pouco mais. Atualmente os preços praticados pela indústria oscilam entre R$ 1,90 e R$ 2,00 o quilo, informou Ícaro Fiechter, da Associação dos Abatedouros de Aves do Paraná (Avipar). Isto que já é mais animador, considerando que o custo de produção estava avaliado em R$ 1,76 o quilo, na primeira semana de outubro.
Na suinocultura, o cenário foi semelhante. No auge da crise a cotação do suíno vivo caiu abaixo de R$ 1,00 o quilo nas regiões produtoras (Oeste e Sudoeste). Na média, a cotação era de R$ 1,00 o quilo no Estado. Desde então, os preços reagiram 22% em média, informou Guilherme Oscar Richter, médico-veterinário do Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral).
O corte de produção decidido pelos avicultores deverá apresentar resultados práticos a partir de novembro, quando completam seis meses após a decisão. Segundo Fiechter é preciso no mínimo esse período para que as matrizes não sejam mais substituídas após a fase de produção.
A preocupação do setor, segundo Fiecheter, é com a falta de milho. Segundo ele, os avicultores entram em pânico com as notícias da imprensa que dão conta que os produtores de milho estão migrando para o plantio de soja, que está com recordes de rentabilidade. O técnico explica que o preço do frango sempre foi ditado pelo mercado. Não adianta elevar o preço do frango, quando o milho sobe, se o mercado não paga. ''Se os avicultores elevarem o preço do frango, não terão mercado para vender'', destaca.
As exportações que constituem um canal de comercialização mais atrativo também estão sendo alvos de preocupação. Isso porque os países da Comunidade Econômica Européia, decidiram analisar 100% da carne de frango exportada pelo Brasil. Os países da Europa querem se certificar que o Brasil não está usando os aditivos que eles rejeitam. ''Trata-se de mais um embaraço que pode reduzir a comercialização para a Europa'', salienta.

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