Veterinário Arlindo Di Giovani JúniorApontado desde o início do Real como ofertador da carne que ajuda a melhorar as condições alimentares dos brasileiros, sem inflacionar a economia, o frango tem merecido atenção especial no Oeste do Paraná, com altos investimentos em unidades frigoríficas, mas também nos aviários, para que eles produzam aves de melhor qualidade para a indústria. A sanidade dos plantéis é especialmente preocupante porque a avicultura é uma das atividades agropecuárias mais sensíveis, e por isso mais exigente.
Frigoríficos existentes no Oeste paranaense, de propriedade privada e de empresas cooperativas, firmam esta região como maior centro de produção e abate do País, por isso os cuidados são cada vez maiores, com todas as etapas do processo de produção, começando pelos aviários. O veterinário Arlindo Di Giovani Júnior, do Departamento de Assistência Técnica da Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel), observa que a desuniformidade e o estresse das aves, por exemplo, são fatores que ‘‘comprometem diretamente a produção’’.
Luta pela vidaSegundo Arlindo Di Giovani, quando 30% dos frangos de um lote são menores, em comparação a outros, este lote é considerado ‘‘desuniforme’’. A origem está na falta de cuidados com a criação, pois à medida em que não são executadas algumas práticas, há competição entre os pintos, em busca de fontes de alimentação e calor. ‘‘Aí, pela lei da seleção natural, pintos maiores e mais fortes se impõem sobre os menores e mais fracos’’, observa. Isto resulta em ‘‘refugos’’, aves com desenvolvimento até 50% inferior ao restante do lote.
Edson MazzetoAs aves devem ser bem atendidas, de acordo com a técnica
Arlindo Di Giovani explica que os ‘‘refugos’’ surgem geralmente até o décimo-segundo dia de vida dos pintos. Até esta fase, as defesas orgânicas das aves ainda estão em desenvolvimento, ‘‘por isso estão totalmente dependentes da atuação do avicultor’’. A origem dos ‘‘refugos’’ está principalmente em falhas no manejo, nos aviários, mas a idade das matrizes também influi: as mais novas geram aves menores e mais fracas, mas ainda assim as deficiências podem ser eliminadas, se forem criadas condições adequadas na fase de desenvolvimento.
Os ‘‘refugos’’ devem ser eliminados até o 14º dia de vida, e submetidos então a tratamento diferenciado, ou então eliminados, ‘‘enquanto o consumo de ração ainda é mínimo, causando menos prejuízos aos avicultores’’. Além disto, os ‘‘refugados’’ são menos resistentes à enfermidades e podem ser focos de contaminação das aves sadias. Na indústria, um lote desuniforme diminui o aproveitamento, principalmente para cortes, comprometendo o cumprimento do programa de produção.
EstresseSegundo Arlindo Di Giovani Júnior, o sistema nervoso dos frangos é extremamente sensível a qualquer erro de manejo ou ruídos nos aviários e variação brusca da temperatura. ‘‘Aves agitadas diminuem o consumo de ração, perdem peso e sua mortalidade aumenta’’, explica.
O estresse é identificado quando os frangos procuram instintivamente fontes de alimentação e calor, e começam a se amontoar e pisotear. Por isso, deve-se ter cuidado com o aquecimento e fazer a perfeita distribuição da ração, em número suficiente de comedouros.
O avicultor também deve ‘‘buscar uma identificação com os frangos’’, evitando gestos bruscos no aviário. O ambiente externo também deve merecer atenção: outros animais fazendo barulho, barrancos que dificultam ventilação ou drenagens que umedecem o piso (‘‘cama-de-frango’’) afetam diretamente os frangos. ‘‘O estresse é decisivo na perda de produção’’, relata o veterinário. Segundo ele, usar música suave em aviários (ou chiqueirões) para combater o estresse ‘‘não é misticismo, pois tem resultados comprovados para tranquilizar os animais’’.
Avicultores que seguem as práticas indicadas pela Assistência Técnica conseguem resultados expressivos na produção. Uma avaliação feita em lote de 6.792 aves (machos) de Alcindo Lang, associado da Coopavel em Catanduvas, indicou peso médio de 2.534 quilos, abate aos 46 dias, mortalidade de 3,65% e conversão alimentar de 1.857 quilos. Com fêmeas, Antônio Casarotto, de Corbélia (7.146 aves), conseguiu peso médio de 2.242 quilos, produção em 46 dias, mortalidade de 2,62% e conversão de 1.962 quilo.
IntegraçãoA Coopavel (quatro mil associados) opera um frigorífico de aves em Cascavel, que abate diariamente 120 mil cabeças, devendo chegar a 140 mil. Segundo o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli, a indústria é alimentada pelo processo de integração, com seiscentos avicultores. Eles obtêm renda líquida de R$ 1,8 mil a cada ciclo de produção (mínimo de 45 dias), com aviários para doze mil cabeças. Além disto, sobra o adubo, para emprego em culturas complementares desenvolvidas nas propriedades.
A cooperativa oferece aos integrados os pintainhos, rações e assistência técnica. A Coopavel coloca os frangos inteiros no mercado interno, e exporta cortes selecionados para a Ásia. Em 96, o faturamento global da organização alcançou R$ 180 milhões. Em 97, apenas o frigorífico de aves deve garantir faturamento de R$ 70 milhões. Até 99, quando estiverem operando os frigoríficos de suínos (1,5 mil cabeças) e bovinos (duzentas cabeças), o faturamento global chegará a R$ 300 milhões.
O maior volume de abates de aves na região é feito em Toledo, pelo frigorífico do Grupo Sadia, o maior da América Latina. A unidade abate diariamente cerca de 360 mil cabeças. Em Cafelândia, a cooperativa Copacol abate 130 mil frangos/dia. Em Cascavel, outro grande frigorífico, do Grupo Chapecó, que estava com funcionamento comprometido devido a dificuldades financeiras da organização, começará a se reativado paulatinamente, depois de um processo de saneamento das finanças da empresa.

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