Frango desafiado
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sexta-feira, 24 de agosto de 2018
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Um primeiro semestre daqueles pra esquecer. É assim que os avicultores brasileiros estão se sentindo após tantas situações difíceis enfrentadas até aqui em 2018. Depois de um ano passado extremamente positivo, cenários inimagináveis surgiram, diminuindo as projeções de produção e exportação. O Paraná - como maior produtor - sente esse impacto, inclusive com algumas integradoras alojando menos animais com os avicultores, já que aumentaram o intervalo entre lotes em alguns casos. O ponto positivo é que a poeira já abaixou e os primeiros números do segundo semestre apontam recuperação.
Nesta semana, a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) divulgou os números do primeiro semestre e fez um raio-x da situação até aqui. Segundo a entidade, a suspensão de plantas brasileiras exportadoras de carne de frango pela União Europeia devido a teórico aparecimento da bactéria salmonela em algumas plantas, novos critérios halal por países Árabes e a aplicação de equivocadas medidas de direito antidumping pela China ao frango brasileiro foram alguns dos fatores que colocaram o setor em um período desafiador, cujo ápice ocorreu no fim de maio, durante a greve dos caminhoneiros.
Os dados atuais, portanto, apontam para uma produção de carne de frango na casa dos 13 milhões de toneladas, redução entre 1% e 2% comparado ao ano passado. A redução é puxada principalmente pela diminuição no alojamento de pintos de corte, estimada entre 3% e 5%, o que claro gerou impacto na oferta disponível do produto. Segundo a ABPA, a projeção inicialmente traçada era de crescimento de 2% a 4% para este ano.
Em relação as exportações, a projeção atual é de 4,2 milhões de toneladas, queda entre 2% e 3%, sendo que inicialmente a expectativa era de crescimento de 1% a 3%. De qualquer forma, o fechamento do mês de julho aponta para um valor de 463,1 mil toneladas, número superior em 20,6% comparado ao mesmo mês do ano passado. Para agosto, a estimativa de exportação supera 400 mil toneladas, o que deve colocar a média mensal de exportações deste ano próxima das médias históricas registradas em 2016 e 2017. Um alívio depois de meses tão difíceis.
Para a ABPA, "a perdas com a proteína animal poderiam ter sido maiores, não fosse a forte diversificação de mercados importadores". Com o embargo da União Europeia, outros países como China, México, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e outros mercados reduziram o impacto dos números.

SINDIAVIPAR: "NÃO NOS ASSUSTAMOS MAIS"
O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, confirma que o primeiro semestre foi bastante complicado e destaca a greve dos caminhoneiros e a escassez de alguns insumos, que acabou gerando um descarte de aves e diminuição de plantel. "Temos patamar a nível nacional e internacional fantástico. Hoje não nos assustamos mais se um país 'A' não vai mais importar, porque temos 'B' ou 'C' que vão levar. Nada nos abala porque nossa estrutura é muito grande."
Ele também disse que se surpreendeu com os números de recuperação de julho e agosto. "A avicultura recuperou-se do baque (do primeiro semestre). Não há outro país do mundo que tenha um produto com nossa qualidade, quantidade e eficiência. Essa história da salmonela foi uma barreira comercial para trabalhar preço. Aliás, eles mesmo deram um tiro no pé, dizendo que se pagasse mais barato não teria problema. Isso aí não é (questão de) sanidade e ficou chato para eles."


