É hora de pensar na compra de insumos para a próxima safra. No caso do milho ou da soja, a adubação deverá ser feita a partir de outubro. Também é hora de quem está recuperando ou implantando novas áreas, fazer a adubação de pastagens.
‘‘O momento é de tomada de decisão sobre qual adubo comprar diante da safra que se aproxima,’’ avisa o diretor-adjunto de pesquisa do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Osmar Muzilli. Quando se fala em adubação, fala-se em devolver nutrientes para o solo, responsáveis pela boa produção da planta que virá a seguir.
O fósforo, nitrogênio e potássio são considerados os nutrientes primários. O uso e a quantidade vão depender da cultura, por isso o agricultor deverá procurar orientação técnica e através do diagnóstico do solo e das plantas conduzir a adubação.
CarênciaO fósforo, segundo o pesquisador, é vital. ‘‘Sem ele nenhuma planta sobrevive’’. No caso do Brasil é um dos elementos mais carentes no solo. Por isso, na abudação das culturas em geral, entra em maior proporção que outros nutrientes, principalmente em áreas de uso recente, ou seja, novas áreas de cultivo.
No caso de áreas onde o cultivo não é novo, espera-se que a reposição do fósforo, ao longo do tempo, esteja sendo feita. O agricultor pode verificar a situação através da análise do solo e diagnóstico do estado nutricional das plantas.
Fontes na naturezaA fonte básica de fósforo na natureza são as rochas fosfáticas que ocorrem na forma mineral (duras ou ígneas); têm fósforo presente dentro da própria rede cristalina do mineral; e a forma orgânica, originária de fósseis (ossos) marinhos ou animais.
O fósforo originário de rochas duras tem solubilidade lenta. Simplesmente moer a rocha e aplicar no solo vai levar anos para liberar o nutriente. Esse fósforo tem necessidade de um processo industrial, para ter solubilidade mais rápida, o que resulta nos fosfatos industriais ou sintéticos.
A produção de fosfatos sintéticos (na indústria) é feita por duas vias: química, que dá origem aos superfosfatos; e térmica, que dá origem aos termofosfatos. Esse processo de industrialização acaba encarecendo o produto final.
Os fósforos de origem orgânica têm maior solubilidade e não precisam de um tratamento de solubilização industrial. Basta moer a rocha e, uma vez o pó aplicado no solo, os próprios ácidos do solo vão solubilizar o fósforo, que nesta condição é chamado de hiperfosfato.
Custos baixosUma das vantagens de usar o hiperfosfato está no custo, já que não é necessário o tratamento industrial. Mais uma vantagem, de acordo com Muzilli, é que não leva resíduos de contaminação ambiental. ‘‘A solubilidade ocorre no próprio solo, de forma lenta e gradativa, o que permite efeito residual do nutriente, cumulativo e mais prolongado’’.
Nessa situação o hiperfosfato, em eficiência agrônomica é equivalente aos superfosfatos. Segundo Muzilli, uma quantidade x de hiperfosfato produz o mesmo efeito que a mesma quantidade de superfosfato. ‘‘Só que com um custo de 30% a 40% mais baixo.’’
Por ser um produto de origem orgânica, o hiperfosfato carrega junto outros elementos essenciais às plantas como cálcio, magnésio e micronutrientes.
Existem várias fontes disponíveis no Brasil. O pesquisador destaca o hiperfosfato de Gafsa (da Tunísia), o de Arad (de Israel) e o da Carolina do Norte (dos Estados Unidos), que são equivalentes em termos de qualidade e superiores aos fosfatos naturais, provenientes de rochas ígneas, como de Patos de Minas, Araxá e outros.
O hiperfosfato vem moído, pronto para uso. Há indústrias que comercializam também fórmulas compostas onde o fósforo é proveniente de fosfato natural de origem orgânica.
O Iapar já fez experimentos no Paraná sobre a eficiência agronômica do hiperfosfato e comprovou que essa eficiência é igual ou superior aos fosfatos sintéticos. ‘‘Isso se deve ao fato de que os solos paranaenses, de modo geral, são de natureza ácida. Nessa condição o hiperfosfato é recomendado tanto para adubação de lavouras anuais como soja, milho e algodão, como para lavouras perenes, como pastagens, café e fruteiras’’, explica Muzilli.
Há recomendação para uso no solo pelo efeito residual satisfatório e ganho maior para o produtor, com custo menor’’, acrescenta Muzilli. Ele explica que o fósforo é essencial para a produção do DNA, que garante a preservação dos caracteres genéticos e a própria fotossíntese das plantas. Atua no desenvolvimento das raízes, botões florais, sementes, órgãos de reprodução das plantas.

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