Apontada como uma das principais soluções para os solos degragados da região do Arenito Caiuá, no Noroeste do Estado, a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF) será debatida durante a 21 edição do Fórum Abag. O evento será promovido no Restaurante Central da Expoingá, no dia 18, pela Cooperativa Agroindustrial Cocamar, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). Com o objetivo de fomentar o sistema produtivo desenvolvido pela Embrapa, o fórum vai apresentar as potencialidades do cultivo consorciado de grãos, carne, fibras e madeira no Paraná, ressaltando os resultados positivos em termos de adequação ambiental e de viabilidade econômica da propriedade.
Atualmente 40 agricultores cooperados à Cocamar na região do Arenito já cultivam dentro do sistema integrado. Segundo o coordenador técnico do Programa de ILPF da Cocamar, Rafael Franciscatti dos Reis, dos 3,2 milhões de hectares do Arenito, cerca de 1,8 milhões é ocupado com pastagens degradadas. ''O intuito é melhorar os índices zootécnicos da pecuária na região, promovendo a diversificação das atividades e aumentando a rentabilidade do produtor'', esclarece.
Entre os benefícios do sistema integrado, Reis aponta o acúmulo maior de matéria orgânica deixada pela pastagem e o aumento da cobertura de solo, o que reduz os riscos causados por estiagem. Em contrapartida, os resíduos da lavoura também incrementam a fertilidade do solo, tornando a pastagem mais produtiva. ''Em dois anos, o índice de uma unidade animal por hectare passou para quatro unidades. Também notamos melhora no ganho de peso do rebanho'', relata. Segundo ele, em anos de estiagem, as lavouras integradas à pecuária ou à floresta possuem maior resistência e conseguem manter produtividade 20% superior às demais.
O Programa Agricultura de Baixa Carbono (ABC) do Governo Federal contempla linhas de financiamento voltadas aos sistemas integrados de produção e oferta R$ 3,15 bilhões em recursos. Os juros são de 5,5% ao ano, com prazo de pagamento de oito a 12 anos. Para o vice-presidente da Abag, Francisco Matturro, foi o próprio sistema de integração lavoura, pecuária e floresta que impulsionou a criação do Programa ABC. Segundo ele, uma pesquisa da Embrapa aponta a existência de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas no País, das quais cerca de 50 milhões conta com estrutura de logística para a produção. ''A Abag tem interesse de recuperar essas áreas, principalmente onde há logística para viabilizar a produção. Além disso, é uma forma de aumentar a produção sem desmatar, pelo contrário, recuperar e proteger as áreas de nascente e o solo'', justifica Matturro.
O vice-presidente da Abag explica que esse será o primeiro fórum a abordar esse tema, mas na sequência a temática será levada para outros locais do País. Matturro afirma que atualmente 174 propriedades já atuam no sistema de integração lavoura e pecuária no Brasil, sendo que algumas também incluem o cultivo florestal. ''A união desses três cultivos é que possibilita a sustentabilidade do sistema produtivo, sendo que a lavoura possui ciclo curto, a pecuária, médio, e a floresta, longo'', explica.(M.F.)

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