Fórum debate protagonismo do Paraná no avanço do agronegócio brasileiro
Encontro reuniu representantes do setor produtivo e do poder público para discutir os impactos do cenário geopolítico
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quinta-feira, 03 de setembro de 2026
Encontro reuniu representantes do setor produtivo e do poder público para discutir os impactos do cenário geopolítico

O papel do Paraná no fortalecimento do agronegócio brasileiro foi tema de debate, nesta quinta-feira (3), durante a 7ª edição do Fórum do Agronegócio, em Londrina. Com o tema “O Brasil como potência do agro. O que define os próximos anos”, o encontro reuniu representantes do setor produtivo e do poder público para discutir os impactos do cenário geopolítico, da segurança alimentar, do mercado internacional e das novas oportunidades para a cadeia agropecuária.
O governador Ratinho Junior (PSD) esteve no fórum e destacou que o estado passou a agregar valor à produção agrícola por meio da industrialização de alimentos. “Nós saímos do extrativismo agrícola, que é um grande erro do Brasil, e passamos a fazer disso uma grande indústria do agronegócio, que é o que deixa dinheiro aqui, vendendo os nossos produtos com cinco vezes mais valor do que vendendo a soja e o milho dentro do navio”, disse o governador no evento.
Além da industrialização de alimentos, Ratinho Junior explicou que o Paraná entrou em uma nova etapa de desenvolvimento focada na produção de biocombustíveis e energias renováveis. “Também iniciamos a etapa da produção dos biocombustíveis. O Paraná já é o maior produtor de biocombustível do Brasil. Eu digo, de uma maneira figurada, que nós vamos ser Arábia Saudita do biocombustível. O Paraná hoje, das 1.700 plantas de biogás que tem no Brasil, 600 estão no Paraná.”
O prefeito Tiago Amaral (PSD) destacou a transformação do Paraná para além da exportação de grãos e ressaltou a importância do produtor nesse processo. “O Paraná hoje dá exemplo de como olhar para o futuro do agro, não apenas dependendo da produção inicial e da base, mas investindo justamente na transformação, porque é isso que vai trazer o resultado. Também não podemos deixar de destacar o produtor rural, é ele que produz o que vai ser transformado em grandes resultados”.
O presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Ilson Romanelli, destacou a relevância do encontro. “O Fórum do Agronegócio vai de encontro com o nosso propósito de fomentar o produtor rural e a nossa cadeia produtiva. Aqui é o lugar certo para fazer os debates sobre as dificuldades do nosso dia a dia”, afirma.
Durante o encontro, questões como infraestrutura, logística, pesquisa, inovação, segurança jurídica, ambiente de negócios, acesso a mercados e políticas capazes de estimular investimentos foram levantadas como peças importantes no movimento de fortalecimento do setor.
O resultado dessa estratégia multifocal se reflete nos números. O mais recente deles é o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) do Paraná. O indicador de desempenho e faturamento do segmento alcançou R$ 213 bilhões em 2025, o maior da série histórica. A pecuária respondeu pela maior fatia, R$ 112,1 bilhões, pelo quarto ano consecutivo, enquanto a agricultura somou R$ 91,2 bilhões. Soja, com R$ 42,3 bilhões, e a avicultura de corte com faturamento de R$ 35,5 bilhões, são os destaques.
É um cenário que consolida o Paraná como maior produtor nacional de proteína animal. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Estado lidera o abate de frango, com quase 35% do mercado, é vice-líder em suínos e leite, terceiro em ovos e está entre os dez maiores produtores de carne bovina.
Dentre as apostas para estimular o crescimento do campo, houve a criação de políticas públicas voltadas a incrementar a produção rural. Entre elas, o Descomplica Rural, que encurtou o licenciamento de aviários, antes de até 14 meses; o Banco do Agricultor Paranaense, com crédito a juros zero para modernização das propriedades; e o FIDC Agro Paraná, fundo inédito no Brasil — o primeiro instrumento de crédito voltado ao agronegócio criado por um estado —, que deve alavancar cerca de R$ 2 bilhões para financiar cooperativas e produtores rurais.
A força das cooperativas, inclusive, é vista como um dos trunfos da economia do Paraná. O Estado tem cinco das dez maiores cooperativas do agro em faturamento no País. As três primeiras são paranaenses: Coamo, C.Vale e Lar. Diante disso, há toda uma relação de apoio voltada para o desenvolvimento desses grupos.
Um programa destacado é o Coopera Paraná, de agricultura familiar, que oferece assessoria técnica e gerencial, capacitação, apoio à comercialização e recursos para investimentos socioprodutivos das cooperativas. Já o Confia Paraná classifica as cooperativas por conformidade fiscal e concede a elas benefícios administrativos e tributários. Por meio do “Refis das cooperativas” é possível parcelar débitos de ICMS de cooperativas em liquidação com desconto de até 95% em juros e multas.
No quesito infraestrutura, o Estrada Boa, considerado o maior programa de pavimentação rural da América do Sul, também contribui para o escoamento da produção de alimentos. O programa fornece subsídios para asfalto, concreto e blocos sextavados até o produtor, por meio de 443 convênios formalizados entre o governo estadual e mais de 270 municípios. Os repasses superam R$ 3,5 bilhões, para a intervenção em 2,6 mil quilômetros de vias. O efeito da pavimentação de estradas de terra é direto na competitividade, evitando perdas e dando maior celeridade no transporte.


Da Redação
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