Menos de um mês depois que o ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, anunciou em Brasília medidas para fortalecimento da pesquisa agropecuária, especialmente no âmbito da Embrapa, essa empresa líder nacional do setor, consolidou ontem, 1º/12, uma parceria com entidade privada, a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, criada 21/12/1999, com 62 membros, para apoiar a produção e melhoria da semente de soja no Sul do Brasil.
Atuando nos Estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, a Meridional reúne mais de 90% dos produtores de sementes de soja desses Estados e é responsável por 37,5% da produção nacional de sementes. Através do convênio de cooperação técnica entre a Embrapa e a Fundação Meridional, acrescentam-se recursos dos dois lados: os produtores de sementes oferecem uma experiência de conhecimentos técnico-científicos gerados em 25 anos de pesquisa; a Embrapa amplia sua capacidade técnica de testes de sementes. A parceria estende-se também a conntratação de pessoal, ampliação da capacidade de teste de linhagens de soja e a capacitação do produtor rural, com maior eficiência nos programas de transferência de tecnologias.
Lembra a Assessoria de Comunicação da Embrapa-Soja, sediada em Londrina, que a parceria com os produtores de sementes vem desde o início da safra 89-90, quando produtores tornaram-se parceiros da Embrapa, ‘‘o que psosibilitou a ampliação do número de unidades demonstrativas em várias regiões produtoras e, como resultado, maior adoção de variedades da Embrapa-Soja’’.
Quando começou a interrelação a Embrapa-Sementeiros, a estatal fornecia sementes básicas e orientação técnica para os produtores instalarem e conduzirem os experimentos no Paraná.
No primeiro ano, foram realizados cinco dias-de-campo no Paraná, atendendo cerca de 600 produtores e técnicos. Na safra 99-2000 promoveram-se 23 dias-de-campo que beneficiaram mais de dez mil sementeiros e técnicos agrícolas.
‘‘Essa parceria fez com que a Embrapa e os produtores de sementes se aproximassem ainda mais da assistência técnica e dos produtores, ampliando a exposição das cultivares no mercado e difundindo outras tecnologias recomendadas pela pesquisa’’, diz Paulo Roberto Galerani, chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa-Soja.
Por sua vez, a Meridional ressalta que a parceria ‘‘direcionará recursos para o programa de melhoramento genético de sementes de soja’’ e que os instituidores da Fundação colaborarão também com a concessão de apoio técnico-financeiro ao estudo e à pesquisa, voltados à qualidade de produtos alimentícios, fitotecnia, ecologia, química, engenharia, administração rural, nutrição, patologia, biologia e seus ramos como produção, multiplicação e melhoramento genético.
O Brasil possui o terceiro mercado sementeiro do mundo e a Meridional não pretende limitar seu apoio à pesquisa com soja. O próximo passo, por exemplo, poderá ser o melhoramento de sementes de trigo, ou de milho. Mas, outros produtos, diz Geraldo Rodrigues Fróes, presidente da Meridional, estão nas intenções da Fundação, que é uma instituição sem fins lucrativos. Fróes está ‘‘de olho’’ no futuro e acha que a biotecnologia será um dos instrumentos importantes da agropecuária no Terceiro Milênio, já a partir do início do Século 21.
O autor é editor da Folha Rural.
(* Colaborou a Assessoria de Comunicação da Embrapa-Soja).

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