Fornecimento adequado de calor
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Cláudia Barberato 
É possível evitar perdas pelo fornecimento adequado de calor, logo nos primeiros dias de vida dos pintinhos, até que eles possam adquirir capacidade termorreguladora da temperatura do seu corpo. A observação é do pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, com sede em Concórdia (SC), Paulo Abreu.
Abreu é um dos pesquisadores que participaram da elaboração de um novo sistema de aquecimento para aves. O trabalho resultou num protótipo de sistema de aquecimento em piso, comparado com os atuais sistemas de aquecimento utilizados nas granjas.
Montagem de um sistema com placas de argamassa armada. Resistências elétricas ficam embutidasO aquecimento do piso é feito por resistências elétricas, embutidas em placas de argamassa armada e placas de fibra de vidro, que são colocadas no chão dos galpões. Para o uso é necessário ter fonte constante de energia elétrica. O controle de aquecimento é feito por um termostato de comando à distância. Nos trabalhos da Embrapa foi testado também o piso aquecido com cobertura de lona plástica que, segundo Abreu, é o indicado para aquecimento inicial das aves, propiciando boas condições térmicas.
AvaliaçãoTodo o trabalho dos pesquisadores está na Circular Técnica nº 20, Sistemas de Aquecimento Para Criação de Aves, que apresenta o resultado da avaliação de diferentes sistemas de aquecimento em piso e seus efeitos sobre o desempenho e mortalidade das aves; consumo e custo de energia e a umidade da cama na granja.
Segundo o pesquisador da Embrapa, conforme os resultados apresentados, o sistema de aquecimento em piso, com resistência elétrica, poderá ser um instrumento valioso em instalações avícolas para reduzir o desconforto causado pelo frio, nos primeiros dias de vida das aves, já apresentando vantagens em relação aos sistemas tradicionais de aquecimento, em termos de aumento de produção. No momento, a Embrapa busca a parceria de empresas que queiram executar esse sistema.
O sistema também pode ser feito com cobertura de lona plástica, que depois seria retiradaPerda de calorOs sistemas de aquecimento usados atualmente são constituídos de campânulas a gás, elétricas, lâmpadas infravermelhas e fornalhas. Todos esses sistemas fornecem calor às aves de cima para baixo. Como o ar quente é mais leve que o ar frio, o processo de aquecimento fica prejudicado. O ar quente sobe e há perda de calor no ambiente.
Fora isso, alguns desses sistemas liberam gases tóxicos ao ambiente, consomem oxigênio do ar, predispõem a risco de explosões, criam ambientes que resultam em agressividade nas aves, apresentam dificuldade de controle de temperatura à altura das aves, camas úmidas e frias, e até necessitam de calor suplementar.
DesconfiançasSegundo o pesquisador, embora existam vantagens do aquecimento do piso em relação aos sistemas de aquecimento tradicionais nas granjas, existe o problema da adoção do sistema desenvolvido pela pesquisa.O produtor ainda desconhece os benefícios do sistema em termos de aumento na produção.
Abreu lembra que o controle do ambiente para criação de aves tem papel importante na produção. Em virtude de suas características homeotérmicas e de metabolismo intenso, a ave está constantemente dissipando considerável quantidade de calor para o ambiente.
Em condições de baixa temperatura, de acordo com o pesquisador, o organismo animal reprime sua perda de calor para o ambiente e aumenta a taxa metabólica, comandado pelo seu sistema termorregulatório. A temperatura requerida pelo pintinho varia, de pintinho para pintinho e também do dia para a noite.
Três graus por semanaAve pequena requer mais calor que ave grande. Como os pintos são incapazes de ajustar inicialmente a temperatura do corpo de acordo com a temperatura ambiente, esta deve estar em torno de 35 graus centígrados na primeira semana, 32 graus centígrados na segunda semana, 29 na terceira, 26 na quarta e 23 na quinta semana, quando o mecanismo de termorregulação dos pintos já se encontra plenamente desenvolvido, explica Abreu.
Algumas doenças das aves têm caminho mais aberto, em função da temperatura do ambiente onde vivem. Baixas temperaturas e oscilações térmicas acentuadas estão relacionadas com surtos de síndrome ascística, já que estimulam aumento do metabolismo da ave e a demanda de oxigênio, determinantes para o desenvolvimento da doença. Também a síndrome de morte súbita, que ocorre entre A segunda e quarta semana de vida das aves, provém dos mesmos sintomas: aumento do metabolismo e demanda de oxigênio.
Questão econômicaEmbora o uso da campânula a gás seja mais prático, do ponto de vista operacional e de custo (custo do gás em relação a energia elétrica), não é o mais eficiente, reforça Carlos Cláudio Perdomo, também pesquisador da Embrapa que participou da elaboração da Circular Técnica.
Perdomo afirma que a pesquisa busca agora validar a tecnologia, colocando-a nos sistemas de produção normal. O produtor que estiver interessado pode experimentar o sistema. Teoricamente há menor gasto de energia do que o aquecimento a gás, justamente porque há melhor aquecimento, embora o custo da energia elétrica seja superior ao custo do gás.
Há também outras vantagens: com o aquecimento no piso é possível evitar uma série de problemas que aumentam o custo de produção de aves, como umidade da cama das aves, distribuição de calor e quantidade de calor, entre outros fatores. Mas ele afirma que ainda é necessário aperfeiçoar o sistema e estudar a questão econômica da implantação, além dos custos para o produtor.


