Formas de consumo de carne estão mudando
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Cláudia Barberato<BR>Reportagem Local 
O professor da Faculdade de Economia Agrícola (FEA), da USP, Guilherme Dias, acredita que as formas de consumo de proteína animal estão mudando e novos contornos deverão guiar o setor nos próximos 10 anos. Para a carne bovina haverá uma valorização dos cortes de primeira, guiada pela forma como as pessoas estão se alimentando, cada dia mais fora dos domicílios, a um taxa de 40% previstos em 2010. Já carne de segunda do bovino deverá ser menos valorizada e se tornará um produto de maior uso na indústria de alimentos processados, que hoje levam uma porção mínima de carne, como o hambúrguer, por exemplo.
Guilherme Dias divulgou as informações durante o simpósio Nelore 2002, no início do mês em Ribeirão Preto (SP), promoção da Associação de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).
O professor falou para os pecuaristas que o crescimento e os novos padrões serão determinados primeiro pelo poder aquisitivo das pessoas e também pelo tipo de vida que elas levam. ''Estima-se que nos próximos 10 anos, pessoas com renda de até cinco salários mínimos deverão aumentar consumo de carne bovina, impulsionadas pela diversificação no uso da proteína animal na sua alimentação,'' afirma.
A perspectiva, de acordo com o professor, é de que o frango, consumido em grande quantidade pela população de menor renda, possa perder sua posição na preferência do consumidor. Já nos dias de hoje, avalia, qualquer melhora no poder aquisitivo da população, aponta uma troca da carne de frango pela carne bovina, o que, segundo Dias, tende a ficar mais acentuado.
Já para a carne suína, segundo o professor, o maior consumo deverá ser no mercado externo com as exportações do produto brasileiro. Grande parte do consumidor brasileiro, de acordo com Guilherme Dias, ainda não tem tradição de consumo da carne suína, a não ser em datas especiais. Por isso, a taxa esperada de consumo interno para o suíno é estimada em 2,8%, enquanto que a taxa para a exportação fica em 12%. A abertura do mercado exportador da carne suína este ano para o sudeste asiático e a Rússia, de acordo com o professor, já é um marco desse crescimento.
O aumento das exportações, neste caso, também se configura pela melhora na qualidade da carne suína brasileira, sendo possível quebrar barreiras sanitárias que existiam contra o produto.
Um aumento nas exportações de frango, segundo ele, só deverá acontecer quando o setor conseguir vencer as restrições tarifárias de mercado. Com a queda das barreiras de acesso ao mercado o setor de frangos poderia vender muito mais do que já vende, afirmou. A estimativa nos próximos anos é de um crescimento de 4% nas exportações de frango e a taxa de 2,2% de aumento no consumo interno.
Para a carne bovina a fatia a ser exportada depende também do mercado interno. O professor explica que quando aumenta a demanda no mercado interno o preço sobe e o esforço de exportação fica difícil. Com o preço maior no mercado interno fica mais atrativo comercializar no País e mais difícil competir lá fora. Por isso, ele acredita que o País deverá continuar insistindo, nos próximos anos, em vender as carnes de segunda para o mercado externo.
No caso da carne fresca, em cortes e mais nobres, o maior consumo deverá ser interno. ''O poder aquisitivo comprando mais dentro do país acaba competindo com o mercado exportador.'' A estimativa é de crescimento de 3% no consumo interno e 4% na exportação.


