Da Redação
O município de Pitangueiras, a 60 quilômetros de Londrina, passou por uma completa transformação nos últimos quatro anos. Em 1994, a economia local estava enfraquecida com a crise na produção de algodão. A partir daí, a comunidade organizada optou pela implantação do Plano de desenvolvimento Agrícola do Município. Na época, o valor bruto da produção era de R$6,5 milhões, resultado da comercialização da safra 94/95, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral). Na safra passada, 97/98, este resultado já havia saltado para R$11,5 milhões.
‘‘A recuperação foi possível através da parceira entre a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, a prefeitura e a Cooperativa Corol, de Rolândia, que atende o município de Pitangueiras’’, explica o secretário da Agricultura Antonio Poloni. Para o engenheiro agrônomo Cristóvon Ripol, da Emater, a organização dos produtores também foi decisiva.
Novas opçõesNa busca por novas opções de renda, algumas atividades identificadas foram a sericicultura, o café, a fruticultura, a piscicultura e o cultivo da pupunha. A vila rural implantada no município também contribuiu para alterar a realidade, com antigos bóias-frias tendo casa e terra para plantar.
A partir da implantação do Plano de Desenvolvimento Agrícola, a situação começou a mudar no município. A área cultivada com café adensando passou de dois para 245 hectares envolvendo 103 produtores com o plantio de 1,5 milhão de mudas pelo viveiro municipal. Na avicultura de corte, a produção passou de 250 mil para 760 mil cabeças por ano. A área cultivada com fruticultura cresceu de 11 para 70 hectares e o número de produtores envolvidos na atividade saltou de cinco para 15.
A distribuição de calcário pelo governo do Estado com o apoio da Corol permitiu um aumento de 15% na produtividade média das lavouras de soja, milho, trigo e algodão. O plantio direto, que na safra 94/95 ocupava 432 hectares cultivados por nove produtores, hoje ocupa 3.416 hectares com 66 produtores.
Combate a pobrezaO agricultor João Batista Sgorlon conta que todos estes avanços foram possíveis a partir da implantação do projeto Paraná 12 Meses. Financiado pelo Banco Mundial e pelo governo do Estado, o projeto visa o desenvolvimento de comunidades rurais carentes com o combate à pobreza e o desenvolvimento de atividades de geração de renda.
Sgorlon preside a comissão do Paraná 12 meses no município, que reúne os agricultores e representantes da comunidade local e decide de que forma os recursos do projeto serão aplicados, tomando sempre como base as prioridades do município. ‘‘Agora que já conseguimos nos organizar e aumentar a produção não queremos parar’’, afirma. Ele conta que a meta é elevar o faturamento anual para R$20 milhões nos próximos quatro anos.
Para isso, consideram fundamental fechar a cadeia produtiva do café no município, produzindo desde a muda até o produto pronto para o consumo. ‘‘Precisamos de uma máquina para beneficiar o café, que poderá melhorar em 30% o preço do produto’’, conta o agricultor.
O agrônomo da Emater acredita que até o final do ano, os produtores já poderão contar com a máquina. ‘‘Estamos elaborando o projeto e já há garantia de repasse de recursos do Paraná 12 Meses para a aquisição’’, informa. Segundo ele, além do governo do Estado, a prefeitura e os próprios produtores deverão assumir parte do investimento, avaliado em R$120 mil, entre a máquina e o barracão.

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