Fonte de energia e nutrição
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Originário da América do Norte, o girassol é cultivado em todos os continentes, numa área que abrange aproximadamente 18 milhões de hectares. Destaca-se como a quarta oleaginosa em produção de grãos e a quinta em área cultivada no mundo, por ser uma cultura com ampla capacidade de adaptação às diversas condições de latitude, longitude e fotoperíodo.
Os estudos sobre a cultura tiveram início no Brasil em 1989, com a criação de uma equipe formada por pesquisadores da Embrapa Soja que realizam pesquisas nas áreas de melhoramento genético, manejo de plantas, fitopatologia, controle de plantas daninhas, fertilidade do solo e difusão de tecnologias.
Com o advento da pesquisa, a área semeada no País experimentou aumento gradativo. Em 1997, a cultura ocupava uma área equivalente a 11 mil hectares, saltando, em 2004, para 100 mil hectares, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar de seu potencial energético a planta é uma importante alternativa na produção de biodiesel o girassol vem sendo utilizado no País principalmente na extração de óleo comestível, de melhor qualidade nutricional.
A demanda nacional pelo óleo de girassol cresce, em média, 13% ao ano. Segundo o pesquisador Cesar de Castro, da Embrapa Soja, para suprir esta demanda, o País importa óleo. O principal fornecedor é a Argentina, maior produtor sul-americano da oleaginosa.
Hoje, a produção brasileira concentra-se no Cerrado, com destaque para os Estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Entretanto, o cultivo também está presente no Rio Grande do Sul, Paraná e em São Paulo e está sendo difundido para o Nordeste.
Castro explica que a oleaginosa se apresenta como opção de rotação de cultura nas regiões produtoras de grãos, por ser mais tolerante à seca que o milho e o sorgo. Além disso, com o plantio do girassol, o produtor aproveita resíduos de adubações de cultivos anteriores, aumentando a capacidade de aproveitamento do solo, do parque de maquinários e, consequentemente, a rentabilidade da propriedade. ''Em áreas onde se faz rotação de culturas com o girassol, observa-se um aumento de produtividade de 10% nas lavouras de soja e entre 15 e 20% nas de milho'', aponta o pesquisador.
Cultivado no período da safrinha, o girassol tem papel econômico e social nas pequenas propriedades agrícolas. O motivo, de acordo com Castro, é a possiblidade de o agricultor diversificar sua produção com a extração de óleo por meio de prensas mecânicas. O produto pode ser vendido ou consumido no próprio sítio. ''No caso das grandes fazendas, o ideal é o produtor vender o grão para as indústrias esmagadoras'', assinala.
Dentre os óleos vegetais, o óleo de girassol destaca-se por suas excelentes características nutricionais. Segundo a fitopatologista Regina Villas Bôas de Campos Leite, o produto é essencial ao desempenho das funções fisiológicas do organismo humano e deve ser ingerido através dos alimentos, já que não é sintetizado pelo organismo. ''Ele atua na prevenção de diferentes doenças cardiovasculares e no controle do nível de colesterol no sangue'', completa.


