Fonte de apoio ao menor carente
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de junho de 1997
Jota Oliveira 
SementesMenor apanha semente de aroeira-salsa, para formar mudas. O projeto assiste 40 menores
FloravaleAssis, na Alta Sorocabana, ganhou no ano passado a classificação de Cidade Amiga das Crianças, outorgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), órgão da ONU. O prêmio foi em reconhecimento pelo trabalho que a Associação de Recuperação de Florestas do Vale do Paranapanema (Floravale), sediada naquele município, faz através do Projeto Broto Verde que, ajudado pela comunidade, emprega 40 menores carentes, dando-lhes assistência integral.
A Floravale foi criada, em agosto de 1993, por uma assembléia geral de consumidores de matéria-prima florestal do Médio Paranapanema. Ela é autorizada a recolher a taxa de reposição florestal, dinheiro que utiliza para produzir um milhão de mudas florestais por ano, e manter o Projeto Broto Verde. Neste projeto os menores aprendem a preparar um canteiro, coletar sementes de árvores, formar e plantar as mudas. As mudas são distribuídas gratuitamente aos produtores, mediante contrato de compromisso de plantio.
São objetivos da Floravale: promover a reposição florestal de seus associados; estimular o plantio na comunidade rural; contribuir para o desenvolvimento de práticas de recuperação ou preservação dos recursos florestais regionais; coordenar e implantar o Projeto Broto Verde nos municípios conveniados.
Mário CesarEngenheiro florestal Bertolucci: viveiro já distribuiu 1 milhão de mudas
O projetoO Projeto Broto Verde está centralizado na sede da Floravale, onde se acha o viveiro da associação, que atende 28 municípios embora tenha autorização para atuar em todo o Estado de São Paulo. Ele assiste 40 menores, que além de aprender a trabalhar na produção de mudas, recebem uma assistência completa, inclusive médica, odontológica e ambiental.
A comunidade participa do projeto: a Floravale oferece a formação dos futuros técnicos em reflorestamento, que aprendem desde a fazer a coleta de sementes até o preparo dos canteiros, plantio e manejo das mudas; a Prefeitura garante a alimentação dos garotos, o transporte, o vestuário e a assistência médica e psicológica às famílias dos menores; o Instituto Florestal ensina conservação ambiental; a Unesp de Assis dá orientação psicológica aos alunos em relação à convivência grupal, em que se observam os maiores resultados.
Mudou a visão de vida dos 40 meninos, diz o engenheiro florestal Cláudio Augusto Bertolucci, coordenador do viveiro e do Projeto Broto Verde. A Fundação Florestal repassa material de viveiro à Agrovale.
Além desses apoios, cerca de 160 pessoas físicas e jurídicas participam, doando mensalmente dinheiro em valores que variam de R$ 5,00 a R$ 150,00. O dinheiro é transformado em bolsas para os meninos: cada um deles recebe R$ 50,00 por mês. Todo mundo dá um pouco. Os menores ficam meio período no projeto; outro meio período precisam estar na escola regular. Este é um pré-requisito. Os garotos entram no projeto aos 14 anos de idade, após demonstrar aptidão (gostar da atividade).
ReposiçãoA Floravale está credenciada para atuar em todo o território paulista, mas vem concentrando seu trabalho no Médio Paranapanema. Credenciada pelo Ibama e SEMA para fazer o recolhimento da taxa de consumo da lenha, ela centraliza estes recursos, com os quais produz eucaliptos, principalmente, e incentiva o reflorestamento. Bertolucci diz que já foram plantadas mais de 1 milhão de árvores. O viveiro tem capacidade para produzir um milhão de mudas por ano.
FloravaleReflorestamento de eucalipto em Cocal, no município de Paraguaçu Paulista
Este ano a organização recolheu taxa equivalente a 350 mil mudas de árvores que serão doadas aos produtores rurais, para reposição. O trabalho, observa Bertolucci, fecha o ciclo que liga o produtor ao consumidor de eucalipto.
A cobertura florestal da região de Assis é de 6,7% da área rural. Ali, devido à fertilidade das terras, a agricultura é muito incentivada, o que provocou o desmatamento em favor da produção agrícola.
Agora, devido à legislação rigorosa - acrescenta o engenheiro florestal da Floravale -, o reflorestamento tem mais resposta. O viveiro produz 20 espécies de árvores nativas como angico, ipês e aroeira-salsa, e exóticas como eucaliptos.


