Fome diminui, mas ainda é alta
Jota Oliveira
Ministros da Agricultura de 175 países estão participando em Roma, até o dia 23, da 30ª Conferência da FAO sobre a alimentação no mundo, e a maior preocupação dos delegados é a subalimentação, ainda presente nos países tidos como em desenvolvimento e até nas nações tecnológica e economicamente desenvolvidas. Nesse quadro, os ministros reelegeram o senegalês Jacques Diouf ao cargo de diretor-geral da FAO. Ele obteve 135 votos, contra 26 votos dados ao embaixador da Argentina na Suécia, Juan Carlos Vignaud.
A Conferência, que começou no dia 12, tem entre seus objetivos aprovar o programa de trabalho e o orçamento da FAO para os próximos dois anos. Os ministros reúnem-se, preocupados com o futuro do abastecimento mundial de alimentos, embora tenha diminuído a quantidade de pessoas em estado de subnutrição nos países em desenvolvimento.
SubnutriçãoNo período 1995-97, nos países em desenvolvimento, 791 milhões de pessoas eram subnutridas, isto é, tinham nutrição insuficiente. Esta é a estimativa mais recente que a FAO possuía a respeito da situação de subnutrição no mundo, enquanto discutia, desde o final da semana passada, a questão alimentícia global. Apesar de grande, aquele número representava uma redução substancial, comparado aos 831 milhões que passavam fome no período 1990-92.
Este descréscimo equivale a uma redução média anual de 8 milhões de subnutridos, enquanto a redução necessária a partir de 1995-97, para cumprir a meta mundial sobre a alimentação em 2015, é de quase 20 milhões ao ano.
A crise financeira internacional continua sendo também objeto de preocupação, porque afetou a produção e o comércio agrícola nos países mais gravemente atingidos.
As estimativas mais recentes indicam a estagnação da produção agrícola mundial em 1998. Este seria, no mundo, o pior ano agrícola do decênio dos 90, segundo a FAO. O mau rendimento da produção, tanto nos países desenvolvidos como nas nações em desenvolvimento, foi a causa daquele resultado.
O número de países que enfrentam emergências alimentícias continua sendo alto. Eram 37 países nessas condições, em agosto deste ano, localizados principalamente na África, onde, observa a FAO, não se salva nenhuma região.
ColheitaEm agosto, conforme o relatório da FAO, a produção mundial de cereais indicava uma pequena redução na colheita mundial, pelo segundo ano consecutivo. Previa-se que a demanda de cereais em 1999/2000 seria superior à oferta, o que obrigaria as nações a recorrerem a seus estoques.
Nos dois últimos anos os preços internacionais da maioria dos cereais sofreram uma constante pressão de baixa, devido à relativa abundância de produção e à depressão econômica em muitas partes do mundo. Foi mais um fator desestimulante da produção.
Segundo estimativas, a assistência oficial para o desenvolvimento da agricultura continuou diminuindo, tanto em valores reais como em porcentagem. Os prognósticos relativos aos envios de ajuda alimentícia em 1998/99 indicam um aumento superior a 3 milhões de toneladas em relação ao período anterior, o que equivale a um aumento do mais alto nível registrado desde 1993/94.
MulheresSe os líderes das nações esperam garantir nos próximos 30 anos a alimentação da população em constante aumento, serão obrigados a revisar as políticas nacionais e se assegurarem de que as mulheres rurais façam parte delas.
Esta é uma das questões analisadas pela 30ª Conferência da FAO. Os ministros participantes da Conferência sentem a necessidade de ter mais dados sobre as mulheres que trabalham na agricultura, pois existe um vazio de informações a respeito. Essas mulheres, observa a FAO, não se conformam em ser apenas estatísticas. A idéia dos delegados participantes é dar às mulheres rurais uma oportunidade para falar e se fazer ouvir pelos líderes das nações e pelas organizações comprometidas com o desenvolvimento.





