Jota Oliveira
De Londrina
Em nota distribuída á imprensa, Alberto Duque Portugal diz que a ameaça de um desastre no abastecimento mundial de alimentos está afastada, ‘‘pelo menos nesta mudança de século’’, emboa reconheça que existe um ‘‘quadro endêmico’’ de fome, principalmente devido à má distribuição da renda.
Segundo o presidente da Embrapa, as hipóteses de falta de alimentos ‘‘provocada pelo esgotamento dos recursos naturais, principalmente terra e pelo crescimento populacional’’, não se confirmarão, devido ao trabalho persistente na geração e adoção de tecnologias mais eficientes de produção, ‘‘que permitiram multiplicar a produtividade de grãos e frutas, e melhorar significativamente a taxa de conversão na produção de proteínas animais.’’
Novas tecnologiasEmbora as taxas venham caindo, a população cresce ainda em ritmo preocupante. O crescimento da população brasileira, por exemplo, dava-se à taxa de 2,89% ao ano, na década de 60 e caiu para 1,89% na década de 90. Prevê-se que pare de subir por volta de 2075.
Alberto Duque portugal argumenta que as recentes descobertas científicas na área de biologia avançada ‘‘permitem prever que a implementação de novas tecnologias possibilitará o aumento da oferta de alimentos’’, a diversificação e redução dos custos dos alimentos.
Ele antecipa quais tecnologias ‘‘ajudarão o agricultor a produzir mais e permitirão aumentar o acesso da sociedade a maior volume de alimentos, e alimentos de melhor qualidade’’. Essas tecnologias, acrescenta o presidente da Embrapa, relacionam-se à biotecnologia, ‘‘principalmente com a engenharia genética’’.
‘‘Elas (as novas tecnologias) mudam as vantagens competitivas, porque podem fazer com que uma determinada planta produza em uma área gelada ou em uma área seca como o Nordeste’’. Para isso, será preciso modificar organismos vivos (plantas e animais), ‘‘agregando características distintas das originais’’.
O presidente da Embrapa afirma que essas são tecnologias ‘‘que contribuem para o aumento da produtividade, redução de custos de produção e adequação de produtos às exigências dos consumidores e para a implantação de sistemas produtivos ambientalmente sustentáveis’’.
Existem no mundo, acrescenta Portugal, ‘‘dezenas de variedades de alimentos transgênicos’’, principalmente soja, milho, algodão e canola. ‘‘O Brasil já começa a realizar os primeiros experimentos nesta área, que promete grande contribuição na geração de alimentos.
Portugal aponta vários grupos de tecnologias. Além da engenharia genética, refere-se às tecnologias destinadas (1) à redução de riscos como perdas de recursos pelo uso inadequado de insumos e contaminação ambiental; (2) agregação de valor aos produtos agropecuários; (3) Informática destinada ao desenvolvimento da pecuária, para aceleração da trasnmissão de informações.
‘‘A fluidez das informações contribuirá para eliminar irracionalidade nos diferentes elos das cadeias produtivas, como intermediações desnecessárias, podendo trazer ganhos para os produtores, que passarão a comprar insumos em melhores condições e vender a produção na hora certa’’, acrescenta o presidente da Embrapa.
No segundo grupo de tecnologias, Alberto Duque Portugal situa, entre outras, a agricultura de precisão e tudo que é utilizado nela; redução das perdas nas colheitas e irrigação. No terceiro grupo aponta embalagem e qualidade (‘‘a própria biotecnologia contribui através de procesos agroindustriais, como produtos fermentados; no quarto, coloca transmissão de informações de mercado em tempo real – pela Internet, entre outros meios.
RecursosO presidente da Embrapa destaca que o Brasil tem recursos humanos ‘‘capacitados para gerar as tecnologias que vão definir as vantagens competitivas da agricultura mundial’’, e que ‘‘é capaz de competir em igualdade de condições com qualquer país, em qualquer área do negócio agrícola’’.
O Brasil, ressalta ainda o presidente da Embrapa, credenciou-se como o País de maior competência na geração de tecnologia agropecuária para os Trópicos, e em praticamente todas as áreas vitais da produção agropecuária florestal.’’

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