M I L H O
URÉIA E SEMENTE MAIS CAROS ESTE ANO
Os produtores de milho este ano devem gastar 5,6% a mais por hectare de milho do que gastaram no ano passado. O preço médio da uréia no Paraná saltou de R$362,20/tonelada em julho para R$438,03/tonelada em agosto, aumento de 21% em um mês. Em agosto do ano passado o preço médio da tonelada de uréia no Estado, segundo levantamento mensal de preços feito pelo Deral era de R$299,23/t, com aumento de 46,4% em 12 meses.
Além da uréia, a semente também deu um salto de 21,7% nos últimos 12 meses - para semente fiscalizada de milho híbrido de alta tecnologia - as de média e baixa tecnologia não ficaram atrás com aumentos percentuais de 19,3% e 19,7%, respectivamente. Uma saca de semente de milho de alta tecnologia teve preço médio em agosto deste ano de R$102,74 ou R$5,14/Kg.
O litro do óleo diesel custou em média R$0,72 em agosto contra 0,60/litro há um ano - aumento de 20%. Entre os agroquímicos alguns ficaram mais caros, outros mais baratos, mas em proporção menor do que os demais insumos comentados acima.
O gasto com insumos para o orçamento apresentado na tabela (sistema de plantio direto, produtividade esperada de 100 sacas por hectare) apresenta um subtotal, denominado ‘‘custo variável parcial’’ que representa os gastos diretos na lavoura do plantio à colheita. A preços de agosto deste ano estes gastos são 6,8% maiores do que no ano passado. Um produtor com custo semelhante deve receber ao menos R$4,62/saca para recuperar o que gastou na lavoura com estes itens.
O custo variável total chega a R$639,54/hectare, 5,6% maior do que com base nos preços de agosto do ano passado. O preço de equilíbrio é o menor preço que o produtor com um custo variável igual a este deve receber para recuperar o que gastou na colheita - que este ano é de R$6,40/sc, equivalente a US$3,55/saca.
Preço de equilíbrio
Quais as chances do preço do milho, no período de safra, chegar a menos de US$3,55/sc ou US$59,20/tonelada ? Considerando o período de meados de fevereiro a meados de junho (4 meses), como período ‘‘de safra’’, que é o período de concentração da colheita, foi montado o histograma apresentado no gráfico. Os dados foram montados a partir dos preços médios mensais em dólar ao produtor no Paraná, neste período, nos últimos 16 anos.
No eixo da abscissa são apresentados níveis de preço para o milho (de US$4,00 a US$9,00), e na ordenada está a frequência absoluta. Ou seja, nestes 16 anos quantas vezes foi observado cada nível de preço. Assim, apenas em um mês dos últimos 16 anos (ou 85 meses já que estamos analisando o período fevereiro a junho), houve um preço abaixo de 4 dólares por saca - este valor ocorreu em junho de 1987 (US$3,88/sc), fruto da desvalorização cambial ocorrida naquele mês. Portanto, as chances de que o preço entre fevereiro e junho do ano que vem fique abaixo de US$3,55/sc é hoje inexistente. Se ocorresse, seria novo recorde de baixa no mercado paranaense.Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
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T R I G O
PREÇO POR QUALIDADE
Os preços do trigo tipo 1, com ph mínimo 78 estão ao redor de R$15 na média do Estado, atingindo R$15,50 em algumas regiões. Mas estes preços significam muito pouco (ou nada) para os produtores paranaenses que não tem trigo nesta qualidade para vender - ao menos no que se refere à produção das regiões, norte, centro-oeste e oeste do Estado.
Um trigo com ph 70, ainda aceito como trigo e não como triguilho em algumas regiões, teve preço de R$11,60/sc esta semana, 25% abaixo do preço do trigo tipo 1. Na classificação oficial do trigo, o pior tipo (3) de ver ph no mínimo igual a 72. O desconto da Conab do tipo 2 (ph 75) em relação ao tipo 1 é de 5% em média - há produtores achando que o desconto que está sendo praticado do trigo com ph 70 para o tipo 1 está muito alto (25%).
Este ano os produtores sofreram tanto perda de quantidade quanto de qualidade. O gráfico mostra a produtividade média por microrregião do Estado na safra do ano passado e os números de agosto para a safra deste ano. Apenas as regiões de Guarapuava e Pato Branco devem obter os mesmos rendimentos do ano passado. Na região de Ponta Grossa a produtividade deve ser quase 18% inferior à de 99.
Nas outras regiões a situação é péssima como mostra o gráfico. A pior perda foi na região de Toledo que deve colher 105 Kg de trigo por hectare (e tem áreas que o produto não dá nem para ração).
Mesmo quem vai colher nada da lavoura tem que abrir espaço para o plantio do milho ou da soja. Quem teve perda total e recebeu Proagro integral não recebe do financiamento, a parcela da colheita (geralmente 10% do financiamento) - se não vai produzir não há porque financiar a colheita. Mas alguma operação tem que ser feita na área para poder plantar a safra de verão. A ‘‘colheita’’ do trigo ou a passagem do rolo faca, ou qual seja a opção do produtor, vai sair do seu bolso e fazer parte do custo de plantio da safra de verão.

No Rio Grande do Sul, por outro lado, a situação das lavouras continua boa com 61% da área entre as fases de floração e enchimento de grãos até a semana passada, segundo informe da Emater do Estado.
Francisco Guimarães
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A R R O Z
OPÇÕES VENCEM E GOVERNO É EXERCIDO
O governo iniciou a venda de contratos de opção de arroz em 28 de março deste ano quando foram ofertados 5.555 contratos (de 27 toneladas cada) dos quais 4.445 contratos foram ofertados para o Rio Grande do Sul e os 1.110 contratos restantes foram oferecidos aos produtores do Mato Grosso. Os produtores gaúchos adquiriram todos os contratos que lhes foram oferecidos. No caso do Mato Grosso, foram negociados 1.044 contratos naquele primeiro leilão. O vencimento das opções deste leilão 14 era de julho.
Desde então o governo realizou outros 9 leilões, até dia 14 de julho. No total foram ofertados 30.897 contratos dos quais 30.787 foram negociados, com volume equivalente a 834.219 toneladas. As últimas opções negociadas no leilão de julho venceram em 11 de agosto. Do total de contratos vendidos, 81% foi para o Rio Grande do Sul, 12% para o Mato Grosso e 7% para Santa Catarina.
Os preços de exercício destas opções variou entre Estados e datas de vencimento. Por estranho que pareça, as opções vendidas ao Rio Grande do Sul de março a maio tinham preço de exercício de R$13,60/saca e o prazo de vencimento das opções (em relação ao leilão de venda das mesmas) era de 3 meses. Em junho foram feitos 3 leilões exclusivamente para o Rio Grande do Sul com preço de exercício de R$15,00/saca e prazo de vencimento de menos de um mês.
Apesar de não haver um informe direto, deduz-se que os produtores optaram por exercer as opções. A pista vem dos estoques do governo, apresentados na tabela. Em 31 de março o estoque de arroz do governo era de 523 mil toneladas (das quais, diga-se de passagem, grande parte era da safra passada e estava no Mato Grosso).

Há pouco mais de 10 dias (12 de setembro) o estoque somou quase 2,1 milhões de toneladas, do qual metade está no Rio Grande do Sul. Não é para menos. O preço de exercício das opções para o Estado variou de R$13,60/sc (50 kg) a R$15/sc. O preço máximo no Estado de julho para cá não passou de R$12,50/sc.
Só este volume que está em poder da Conab (sem contar os estoques privados) são maiores do que o estoque final de safra (privado e público) dos últimos 3 anos e põe em dúvida se o estoque final da safra 99/00 vai mesmo ficar em 1,4 milhão de toneladas como estava programado.
Francisco Guimarães
E-mail: [email protected]
A L G O D Ã O
PRODUTOR GOIANO VENDE AO GOVERNO
Os contratos de opção parecem estar sendo mesmo uma alternativa interessante para produtores de algumas regiões, especialmente naquelas em que a qualidade do produto algumas vezes fica abaixo do padrão desejado ou onde os preços regionais ficam abaixo do preço de exercício das opções.
Uma destas regiões é Goiás. Este ano o governo começou os leilões de contrato de opção em 18 de abril e manteve os leilões até 6 de junho. Foram ofertados (e negociados) - 2.483 contratos (de 27 toneladas cada o que totaliza 67.041 toneladas de algodão em pluma. O vencimento destas opções começou em 15 de agosto, num total de 22.032 toneladas.
Os produtores paranaenses (e/ou suas cooperativas) adquiriram 100 contratos mas aparentemente não exerceram nenhum. Idem para São Paulo. Conclusão: preços nestas regiões acima do preço de exercício ou o governo recomprou os contratos.
Mas atenção: 30% dos contratos 20.547 toneladas foram vendidas ao Mato Grosso e estes contratos vencem a partir desta semana. Tem contrato de opção vencendo até meados de outubro e os resultados dos leilões de recompra e PEP não foram lá estas coisas.
O estoque de algodão do governo na última posição divulgada (12 de setembro) era de 30,9 mil toneladas, das quais 19,4 mil toneladas é de produto goiano. Podem se preparar para leilões de PEP nos próximos meses - além dos leilões de recompra de PEP para escoamento. Parece que, mesmo com a maior tecnologia, produtividade, etc, no Centro-Oeste, ainda não há competitividade no custo de produção. De outra forma, não seria necessária uma intervenção tão pesada do governo no mercado.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]

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