Fôlego depois de uma longa crise
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de janeiro de 1997
Cláudia Barberato 
Arquivo FolhaAbateReação de consumo aumentou número de abates em dezembroMesmo descapitalizado, o produtor de suínos está se recuperando de uma crise de um ano e meio de baixos preços de venda, alto custo de produção e redução de plantel. A informação é do produtor José Sato, de Arapongas, vice-presidente da Associação Regional dos Suinocultores do Norte do Paraná (Assuinopar).
Os suinocultores, segundo Sato, estão trabalhando no prejuízo desde março de 95, e a situação começou a melhorar apenas em novembro de 96. É que a partir de novembro houve alteração no consumo e, consequentemente, nos preços da carne suína. Até então a perda era de 30% a 40%, chegando a 80% nos meses de abril, maio e junho de 96. Um dos motivos era o alto preço do milho, em torno de R$ 8,50-9,00 a saca. O milho é um dos componentes mais importantes do custo de produção do suinocultor.
No último semestre de 96 o quilo do suíno vivo chegou a ser cotado a R$ 0,45 e o custo de produção era de R$ 0,90. Também um boato de importação de carne suína, que não se concretizou, colaborou com a redução dos preços pagos pela carne suína.
Havia ainda, segundo Sato, preocupação com a alta do milho no mercado interno, expectativa que também não se concretizou. Hoje, na entressafra, o preço está razoavelmente barato, cotado, de acordo com o produtor, a R$ 7,00 a saca.
Redução de preçosO boato da entrada de carne importada, de 45 a 50 mil toneladas, no mercado interno, fez com que os frigoríficos reduzissem o preço pago ao produtor. Nesta época o suinocultor recebia R$ 0,55-0,60 pelo quilo do suíno vivo, com pagamento em 10 dias. A carne importada entraria no mercado com menor preço, maior prazo de pagamento e juros subsidiados.
O preço previsto era de R$ 0,80-0,90 com prazo de pagamente em 180 dias para a carne importada. A consequência foi redução dos preços no mercado interno. O preço da carne caiu para R$ 0,45 (maio e junho de 96), enquanto o custo de produção ficou nos R$ 0,90 o quilo.
Os preços começaram a recuperar fôlego no final de setembro, ficando em R$ 0,65-0,70. A barreira entre os Estados do Paraná e Santa Catarina não influenciou o mercado. Hoje se pratica R$ 0,95-1,00 o quilo e o custo de produção ainda está na faixa R$ 0,90.
Aumento de custosO preço do milho baixou, mas o farelo de soja reagiu (hoje cotado a R$ 313,00 a tonelada), o que ainda ameaça a lucratividade do produtor, afirma o presidente da Assuinopar, José Luiz Vicente da Silva. Juntos, milho e farelo de soja, somam de 60% a 70% do custo de produção.
Durante este período difícil para a suinocultura, afirma Silva, alguns criadores desistiram da atividade, mas os principais problemas foram a redução de plantel e a descapitalização do produtor. O que se ganhou em 10 anos, perdeu-se em um ano, reforça o produtor Sato.
De acordo com Silva, o aumento médio para os preços do farelo de soja a partir de março de 96 até agora foi em torno de 45%. Além disso, conta o dirigente, o Governo tirou o tributo de ICMS de cereais para exportação, ficando mais lucrativo para o produtor de grãos exportar do que colocar seu produto no mercado interno.
Exportação e
consumo interno
devem ajudar na
recuperação
Hoje, de acordo com Silva, não há carne em abundância no mercado. Isto porque, com a reação dos preços em dezembro, o criador matou o suíno que estava pronto e acabou abatendo também o animal que seria vendido apenas em janeiro, até porque o mercado pedia carcaças mais leves. Ele acredita que a oferta estará estabilizada nos próximos 60 dias.
s
Exportação e consumoOutra expectativa do setor é com relação aos contratos de exportação de carne suína para a Itália. Os detalhes foram discutidos durante esta semana, em Santa Catarina e no Paraná. O médico veterinário Vicenzo Caparole, consultor do Ministério da Agricultura e diretor do Instituto Zooprofilático Experimental de Abruzzo e Molize, com sede na Itália, esteve nos dois Estados.
No Paraná, segundo noticiou a Folha de Londrina durante esta semana, o veterinário italiano veio discutir padronização das normas na área sanitária para a exportação de carne suína. Tudo para adequar o Estado às exigências da Organização Mundial do Comércio e viabilizar a exportação da carne produzida no Paraná.
No Brasil, os criadores apostam num aumento de consumo através da campanha de marketing, já iniciada pela associação brasileira em algumas capitais, com distribuição de folhetos explicativos sobre benefícios do consumo da carne suína.


