Dia 13 de janeiro de 1975. Data exata que o extensionista da Emater, Élcio Rampazzo, ingressou no escritório local, em Santa Mariana. Ele mal imaginava que mais alguns meses e o Estado passaria por um dos momentos mais marcantes da sua história, com a geada de 18 de julho de 1975, que simplesmente destruiu a cultura do café no Paraná e gerou uma transformação no campo.

Momento de tristeza mas também de novas oportunidades. A partir dali os grãos começaram a assumir papel de protagonismo no Estado e a Emater teve papel fundamental para que isso chegasse aos produtores. "Depois de um ano e três meses que ingressei na Emater já fui promovido, vindo para Londrina em meados de 1976 e assumindo um setor de executor de campo de demonstração. Eu apresentava novas tecnologias, era a época do milho híbrido, da soja e da mecanização. Essas culturas estavam em plena expansão e precisava de agentes para demonstrar isso aos agricultores."

No ritmo veloz dos conhecimentos na agricultura, Rampazzo passou por Jataizinho, Cornélio Procópio – onde trabalhou no sistema de irrigação e drenagem, aproveitamento das áreas inundadas – e em 1983 assumiu a coordenadoria de lavouras em Campo Mourão, desenvolvendo áreas de soja, milho, trigo, quando começou a liberação de vespinhas para controle biológico do pulgão do cereal, num trabalho em conjunto com o Iapar. "Em 1988 assumi a chefia da região de Londrina e em 1990 fiz mestrado na área de entomologia em Jaboticabal. A partir daí retornei para trabalhar com frutas."

Toda essa bagagem técnica fez de Rampazzo e outros colegas da Emater fundamentais para o desenvolvimento da fruticultura no Estado, principalmente na região Norte. "Aqui no Norte importávamos muita banana, mesmo com toda a riqueza de solo e clima. De repente passamos a ser exportadores graças a esse trabalho. Mais recentemente tivemos o cultivo do morango. Fomos os responsáveis pela introdução aqui na região."

No último 31 de maio foi o momento de Rampazzo deixar a entidade oficialmente, apesar de alguns treinamentos que ainda está finalizando. Para ele, é importante que a entidade crie estratégias para que o conhecimento dele e de outros colegas não seja perdido nessa transição. "As oportunidades que a Emater e o governo me deram para eu melhorar a minha vida pessoal e de conhecimento foram muito grandes. Eu sinto que a Emater deveria ter pensado há muito tempo (em uma forma) de aproveitar essa turma que está saindo."

Para ele, a ideia de "reaproveitar" toda essa bagagem dos profissionais que fizeram a entidade evoluir nos últimos 40 anos é válida, independentemente da parte financeira. "É uma forma de continuar nos sentindo úteis para a sociedade. Vejo que ainda tenho muito gás para colaborar. Toparia ser extensionista voluntário. Quem começou na antiga Acarpa (como era chamada a Emater), que foi "acarpiano", não deixa de colaborar com a empresa. Foi uma vida: 43 anos."

Por fim, Rampazzo relata que os colegas que estão ingressando agora têm um potencial muito grande, principalmente com todo o diferencial de comunicação que se possui hoje, com ferramentas como WhatsApp e até as redes sociais. "É preciso ter vontade, fazer as coisas acontecerem. Tem que superar barreiras governamentais, administrativas, e assim ter a aplicabilidade de conhecimento. Quem tem vontade supera e tira isso de letra."

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