Se de uma forma geral, o sistema que piscicultura que predomina no Paraná é de viveiros escavados, na região Norte do Estado, são os tanques-redes para a produção de tilápia que predominam, principalmente em cidades como Alvorada do Sul e Primeiro de Maio, com um potencial produtivo de 3,5 mil toneladas por ano. Esse volume faz com que a produção atenda diretamente 12 frigoríficos, além de outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro.
O engenheiro de pesca do Emater de Cambé, Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, o Lula, atende 143 piscicultores na região, boa parte deles integrantes da Associação Norte Paranaense de Aquicultores (Anpaqui). Ele explica que a demanda atual por alevinos (peixes pequenos, recém saídos do ovo) para a criação está tão elevada, que o produto ficou escasso para os grandes engordadores. "Os alevinos são produzidos nas cidades de Rolândia, Florestópolis, Londrina, Munhoz de Melo, Cambará, entre outras. Quem necessita de grande quantidade não está conseguindo fácil neste momento. Um milheiro médio está na faixa de R$ 100 e já sofreu alterações de preço entre 10% e 12% no último ano. Mas isso depende da negociação com cada centro de produção", explica Lula.
As tilápias que começarem a ser produzidas agora têm um ciclo médio de 210 dias de engorda até chegar à mesa do consumidor. Portanto, este momento é importante para os piscicultores, porque eles já estão de olho na boa comercialização da Semana Santa e Páscoa de 2016, na expectativa de demanda e bons preços. Outros que começaram a engorda em abril passado, enfrentaram o inverno, com o objetivo de ter os peixes terminados agora no final do ano. "Tem muita gente interessada em entrar na atividade e com áreas que podem ser utilizadas. A piscicultura dá um lucro interessante, se o produtor seguir todas as recomendações técnicas, de manejo, trato e muita dedicação. Notamos um interesse muito grande e, quem está trabalhando com peixe, não sai. Muitos buscam, inclusive, ampliar a área de atuação."
Atualmente, a produtividade paranaense é de cerca de 20 toneladas/hectare/ciclo em viveiros de terra e 90 quilos por metro cúbico no caso dos tanques-rede. É claro que tal produtividade varia de uma região para outra, dependendo dos aspectos climáticos, já que a tilápia é considerada um peixe tropical.
O extensionista especializado em aquicultura e pesca do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Danilo Muehlmann, relata que o produtor recebe atualmente de R$ 3,60 a R$ 4,70 pelo quilo da tilápia, dependendo da forma de comercialização. "No caso da venda para a indústria, o valor de compra é mais baixo, entretanto a comercialização acontece o ano inteiro. A margem bruta fica entre 25% e 35% deste valor, com o tanque-rede deixando uma margem um pouco menor em comparativo ao viveiro de terra. Um exemplo, se o piscicultor estiver trabalhando com um preço de R$ 4 o quilo, tirando R$ 1 por quilo de lucro, produzindo 20 toneladas por hectare, o lucro líquido dele é de R$ 20 mil por hectare por ano. Uma boa renda, competindo diretamente com outras atividades agropecuárias importantes."

MANEJO ALIMENTAR
Quando se trata do manejo do sistema – para que de fato a produção seja rentável – Muehlmann relata que o piscicultor deve olhar com atenção todo o ecossistema, que é bem dinâmico. "A qualidade da água, por exemplo, muda do dia para a noite. Essas alterações não são percebidas visualmente, mas sim pelo peixe, que tem como uma das primeiras respostas a redução da taxa de consumo de alimentos e, assim, o crescimento do animal fica prejudicado."
Outro ponto tocado pelo especialista é a dosagem da alimentação. É preciso fazer estimativas bem detalhadas sobre o assunto. Se a tilápia está se alimentando abaixo do que precisa, o ciclo de engorda demora mais para finalizar e, assim, perde eficiência. "Se a quantidade for maior que o necessário, há o desperdício dessa ração, que ficará no ambiente como poluente. Isso gera um custo ambiental dentro do viveiro, piorando ainda mais a condição de vida do peixe."

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