Foco na pecuária intensiva
"O Paraná não pode mais se dar ao luxo de criar pecuária extensiva. Tem que intensificar a atividade. Não podemos mais ter quatro unidades animais por alqueire, temos que ter quatro unidades animais por hectare." É com essa afirmação que o coordenador estadual de pecuária do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Fernando Brondani, enxerga um dos principais gargalos que devem ser superados no Paraná.
Coordenador do Programa de Modernização da Pecuária Paranaense dentro do instituto, Brondani explica que seu trabalho teve início em 2011. Para ele, é possível perceber que muitos tópicos analisados pela equipe do programa ainda são problemas recorrentes e que estão incluídos no estudo encomendado pela Faep à UFPR. Em três anos, o cenário pouco mudou.
Um dos antagonismos encontrados quando o programa de modernização começou, segundo o coordenador, é que o Estado possuía os melhores núcleos de produção de bovinos do País, produzindo entre 630 quilos e 650 quilos de carcaça por hectare e outros ruins, com média de 70 quilos por hectare. "Havia e há locais produzindo animais hiperprecoces e outros tradicionais demorando de quatro a cinco anos até o abate", relata ele.
Outro problema que continua até hoje é a exaustão do rebanho em termos de fêmeas. Em 2011, o Paraná tinha um deficit de 500 mil bezerros e o coordenador do Emater acredita que hoje o número cresceu ainda mais. "Nós continuamos abatendo fêmeas e com um problema sério de falta de matéria-prima. Também perdemos, na época, 18% da área de pasto para a agricultura. Hoje, a pecuária precisa ser intensiva, em pequenos espaços, de curta duração, com animais com ciclo menor para abate, de 11 a 24 meses."
Por falta de pessoas nas entidades como o Emater, o programa estadual concentra-se na Região Noroeste. Entre os objetivos principais, o trabalho visa maior produção por área, redução na idade de abate (de 37 meses para 30 meses) e aumento de outros índices zootécnicos, principalmente a taxa de desfrute (número de animais vendidos ao ano em relação ao total de animais existente no rebanho) em 5%, atingindo a marca de 27%. "É preciso profissionalizar o produtor rural, ele não pode ter pecuária como reserva de valores, isso é um absurdo hoje em dia. Vale lembrar que mesmo com todos esses problemas, o Valor Bruto da Produção do segmento é o quarto maior do Estado, perdendo apenas para soja, avicultura e milho", compara Brondani.
Através de programas como o de modernização do setor, além da contratação de mais profissionais, o coordenador acredita que seja possível levar a pecuária de corte do Estado a um nível mais profissional. "Como já citei, é preciso focar na pecuária intensiva, mas com técnicos auxiliando os pecuaristas e que conheçam o segmento de A a Z. É preciso ter uma visão sistêmica de toda a cadeia, entendendo o que acontece em todas as fases do processo. Hoje, o produtor quer ganhar dinheiro e os técnicos precisam ajudá-lo", finaliza Brondani. (V.L.)





