O ano de 2015 pode trazer mudanças importantes para os produtores brasileiros de florestas. O novo fôlego, que sem dúvida fortalecerá a silvicultura, se deve graças a assinatura do Decreto 8375 pela presidente Dilma Rousseff, que trata da criação de uma política agrícola específica para florestas plantadas em todo o território nacional.

A partir de agora, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) coordenará o planejamento, a implementação e a avaliação da política agrícola para o segmento. A pasta deverá observar as atividades de produção, processamento e comercialização dos produtos, subprodutos, derivados, serviços e insumos relativos ao setor. Outro dever importante do ministério é elaborar o Plano Nacional de Desenvolvimento de Florestas Plantadas (PNDF) num prazo de 10 anos, atualizado constantemente.

Produtores e entidades paranaenses receberam com ânimo essa importante mudança em relação à política do segmento e querem participar ativamente da criação do PNDF (veja o box). No Paraná, seis em cada 10 produtores de florestas são de pequeno e médio porte, e estão alocados principalmente nas regiões de Campos Gerais, Vale do Ribeira, União da Vitória e Guarapuava. No ano passado, muitos não conseguiram realizar o desbaste de suas áreas plantadas por falta de recursos financeiros. Mesmo assim, de acordo com a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), a produção anual de madeira em tora ficou na casa dos 40 milhões de m³, incremento de 31,5% frente a 2013. A área de plantio no Estado está estimada atualmente em cerca de 1,5 milhão de hectares (ha), sendo 900 mil ha de pinus e 600 mil ha de eucalipto.

A lista de realizações prometidas no texto do decreto é longa e com ações bem importantes. Estão entre elas o aumento de produção e produtividade das florestas plantadas, melhorar a renda e a qualidade de vida no meio rural, diminuição da pressão sobre as florestas nativas, estímulo da integração entre produtores rurais e agroindústrias que utilizem madeira como matéria-prima, etc. Em relação ao PNDF, deve ser incluído no documento um "raio-x" completo do setor, que inclui o inventário florestal, tendências de outros países e da macroeconomia, metas de produção, entre outros levantamentos.

Como o decreto foi assinado recentemente, o Mapa ainda não estipulou como funcionará o trabalho a partir deste ano. O último pronunciamento oficial, foi realizado no final do ano passado, ainda na gestão do então ministro, Neri Geller, agora substituído por Kátia Abreu. "Essa é uma conquista para o setor. Com a transferência da gestão das políticas públicas de florestas plantadas para o Ministério, vamos propor um conjunto de orientações condizentes com o potencial que o setor pode dar ao desenvolvimento sustentável do país", afirmou Geller no final do ano passado, por meio da assessoria de imprensa.

Vale dizer ainda que o setor de florestas plantadas responde pelo abastecimento de 75% do consumo de produtos florestais, a partir de uma base de plantios de somente sete milhões de hectares, que correspondem a menos de 1% da área do território nacional. O setor está relacionado a importantes cadeias produtivas da economia, como construção civil, siderurgia a carvão vegetal, papel e celulose, movelaria e energia.

Imagem ilustrativa da imagem Florestas sob novas perspectivas
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