Floresta para o futuro
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sexta-feira, 23 de março de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
Com a participação de 7% no total do Valor Bruto da Produção Agrícola Paranaense (VBP), o plantio de florestas para obtenção de madeira tem se tornado um bom nicho de mercado no Paraná. Hoje, o setor já agrega ao Estado uma receita média de R$ 3,2 bilhões por ano. Com uma área plantada de 848 mil hectares, a produção tem como foco os mercados de toras, para a indústria moveleira, e de lenha - bastante usada como combustível para as agroindústrias secarem grãos. Além desses setores, tem muito produtor de olho no mercado de celulose, que está ganhando espaço no País e contribuindo para o aumento da área plantada com floresta. Hoje, o Paraná é o terceiro maior produtor de madeira do Brasil, perdendo somente para São Paulo e Minas Gerais.
Carlos José Caetano Dacha, professor da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq/USP), afirma que a demanda por celulose tem cobiçado muitos produtores brasileiros. A razão, segundo ele, é simples: o produto tende a se valorizar. Dacha explica que investir nesse segmento vale a pena porque até 2017, sete novas fábricas de celulose serão instaladas no País. O especialista completa que em muitos estados, como o Paraná, a tendência é que o investimento nessa atividade cresça exatamente para atender essas indústrias. ''Esse é o momento de investir''.
Dacha afirma que aqueles que irão plantar agora, deverão encontrar um bom mercado daqui a 7 anos. ''Hoje, o valor da celulose não está muito bom, variando entre US$ 627 a US$ 730 a tonelada. Mas a previsão desse mercado é de significativa alta'', reforça. Dacha acrescenta que além das indústrias de celulose e de móveis, a construção civil é uma das maiores consumidoras de madeira, principalmente para a fabricação de portas, pisos, entre outros itens.
O pesquisador destaca que os preços pagos pelo produto oscilam muito porque, segundo ele, sempre há desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Entre 2002 e 2011, por exemplo, o Brasil registrou um período de alta no valor da matéria-prima, devido à falta do produto. ''Agora, os preços tendem a cair, por conta do aumento da oferta em alguns polos de produção''. Porém, o professor acrescenta que o produtor pode ficar sossegado, pois o aquecimento desse mercado é praticamente garantido.
Rosiane Cristina Dorneles, engenheira florestal da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) explica que o leque de segmentos que utilizam a madeira é bem amplo e promissor. No Norte do Paraná, por exemplo, muitos produtores têm conquistado uma boa renda vendendo lenha para as agroindústrias secarem grãos. Outros, acrescenta Rosiane, estão investindo em subprodutos como compensados e madeira bruta para o setor moveleiro.
O produtor José Adauto Fernandes de Mendonça, da região de Ortigueira, descobriu uma boa rentabilidade na produção de madeiras para esses dois segmentos. Em uma área de 145 hectares, cultiva eucalipto voltado para a produção de lenha para as agroindústrias e tora para as indústrias moveleiras da região de Arapongas. Com a venda de torinha, Mendonça chega a receber R$ 110 por tonelada e com a de lenha R$ 85 a t. E confessa que tem observado o mercado de celulose: ''se for interessante também posso produzir para esse setor''.
Carlos Dacha, professor da Esalq orienta os interessados na atividade, a estudarem melhor o mercado que pretendem atender. ''Apesar da atual queda de preços, o setor está crescendo, principalmente em madeira sentada voltada para a produção de compensado''. Dacha observa que o único mercado que não tem boas perspectivas é a exportação de madeira serrada. Segundo ele, as vendas para a Europa, por exemplo, diminuíram drasticamente. Apenas subprodutos, como embalagem de madeira, estão aquecidos.
Preços momentâneos
Rosiane, da Seab, afirma que mesmo com o crescente mercado, o setor vem registrando sucessivas quebras de preços nos últimos anos. De acordo com dados da Seab, de 2010 para 2011, o preço do metro cúbico do eucalipto caiu de R$ 70 para quase R$ 60. O pinus, segunda maior espécie encontrada para corte no Estado, passou de R$ 90 em 2005 para R$ 60 o metro cúbico em 2011. Segundo ela, a oscilação é natural para o mercado.



