Floresta legal dá lucro
Curitiba Num cenário que se apresenta ''desfavorável'' para a produção do pinhão, segundo especialistas, há quem esteja investindo no segmento. O agricultor Paulo da Nova, 51 anos, é um deles. Dono de uma propriedade de 32 hectares, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ele resolveu plantar araucária nas áreas que não podem ser desmatadas. ''Eu plantei mil pés de pinheiro no sítio, que daqui a dez anos vão começar a me dar um bom retorno'', conta ele. ''É uma forma de ter, pelo menos, a renda do pinhão nas áreas de preservação. É uma boa atividade'', acrescenta ele, que trabalha com hortaliças e frango.
Por enquanto, o pinhão coletado nas terras do agricultor é para consumo próprio. ''Não dá nem para pagar a conta de luz. Esse ano a gente só coletou 150 quilos, vendemos só uma coisinha'', relata. ''Mas isso era previsível, porque ano passado a colheita foi melhor de acordo com o Ceasa/Curitiba a situação foi inversa no total comercializado e quem trabalha com pinhão sabe que existe essa alternância de safra alta com baixa, o que valoriza o produto'', explica Paulo da Nova, dizendo que a colheita é feita pela família e mais um empregado.
Segundo o agricultor, árvores mais antigas (acima de 50 anos) chegam a render 100 quilos de pinhão, enquanto que o normal são cerca de 23 quilos por pinheiro. Alem disso, ele explica que existem duas variedades de pinhão: a que a pinha cai quando está madura (desfalhar) e a caiová, pinha que só cai se for derrubada que é mais resistente pela grande quantidade de resina, sendo preciso subir nos galhos, altos e secos.
Para o produtor José Reinaldo dos Santos, 62 anos, a safra deste ano também será mais fraca. Ele acredita que vai colher em torno de 11 toneladas até meados de julho, enquanto que em 2005, foram 15 toneladas. Em sua propriedade, em Mandirituba, na RMC, a colheita em cerca de mil araucárias é feita por ele e pelos quatro filhos. ''Tem uns pés que dão 300 quilos, outros 100 e outros quase nada. Isso varia todo ano. Com o pinhão só dá para complementar a renda, porque meu sustento vem mesmo da plantação de verduras'', explica José Reinaldo, dizendo que está vendendo o quilo do pinhão por R$ 1,00, nesse ano.
O agricultor ainda diz que o consumo, assim como a produção de pinhão aumentou depois da criação do Ceasa. ''Antes ninguém se interessava em vender porque o povo não ligava para o pinhão. Depois do Ceasa é que começaram a ver outra utilidade para a araucária que não o corte'', conta ele, que não pretende investir mais no negócio. ''O pinheiro demora quase 25 anos para começar a produzir pinhão e eu já estou velho para esperar. Quem tiver capital é melhor plantar pinos, que a partir de cinco anos já dá retorno. Pode até ficar rico'', sugere José Reinaldo. (F.G.)





