Curitiba - As semanas que antecedem o Dia de Finados são a melhor época do ano para a família Metta, de Apucarana. Produtores de flores há mais de 40 anos, eles aproveitam a grande procura por esses produtos na data para incrementar os negócios.
Segundo José Ângelo Metta, os vasos de crisântemos são os mais procurados pelos consumidores. Em semanas normais, a produção é de 3 mil vasos. Na semana que antecede o Dia de Finados, o produtor deve entregar ao todo 150 mil vasos. ''Para nós, é a melhor época do ano. A segunda melhor é o Dia das Mães'', explica o produtor, que vende a maior parte da sua produção para uma grande rede de supermercados, que comercializa as flores nos principais municípios paranaenses e também no interior de São Paulo.
Mas nem tudo são flores na produção paranaense. Segundo números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), entre 2004 e 2009, o Valor Bruto da Produção (VBP, que equaciona preço x produtividade) de flores no Paraná diminuiu 20% e ficou em R$ 13,5 milhões no ano passado.
De acordo com a Seab, a partir de 1997, quando o VBP de flores representou R$ 7,7 milhões, houve um período de grande crescimento, impulsionado por pesquisas que aumentaram a gama de produtos. O ápice foi atingido no ano 2000, quando o VBP no Paraná atingiu R$ 23,4 milhões. Desde então, o valor oscilou, até acumular a queda expressiva registrada entre 2004 e 2009.
Segundo o Deral, as flores mais cultivadas no Paraná são crisântemos, rosas e orquídeas. Marialva (18% do VBP), Uniflor (15%) e Apucarana (9%) foram os municípios que concentraram a produção de flores no Estado no ano passado. A Região Metropolitana de Curitiba também representou um polo importante: somados, os municípios de São José dos Pinhais, Campina Grande do Sul e Colombo responderam por 8% do VBP de flores no Paraná em 2009.
Paulo Ikeda, gerente do Mercado de Flores da Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa) em Curitiba, explica que, ao mesmo tempo em que está se ''espalhando'' pelo Paraná, a produção de flores no Estado encontra entraves.
''Não tivemos essa tradição de plantas ornamentais e flores. O Paraná voltou-se para as grandes culturas. Com o Mercado de Flores, mostramos que é um negócio rentável. Mas ainda existem problemas na produção paranaense: falta de continuidade na produção em muitos casos, restrições impostas pelo clima em certas regiões, ausência de um mercado concentrador, estrutura para comercializar o produto'', diz Ikeda.
O atacadista Paulo Roberto Frote, que vende flores no mercado da Ceasa de Curitiba, estima que o movimento na sua banca aumenta 100% no período que antecede o Dia de Finados. Ele aponta que 95% dos produtos que comercializa vêm de São Paulo, principal polo de produção de flores no Brasil. ''O produtor precisa garantir o fornecimento o ano inteiro. Às vezes, acontece de você pedir a mais para um produtor local, e ele não tem, ou o clima não ajudou'', compara.
Ainda assim, Paulo Ikeda acredita que há potencial para a produção paranaense de flores aumentar sua rentabilidade. ''A tendência nacional é de um crescimento de 15% nos próximos anos. Tudo é uma questão de se estruturar para vender o produto'', argumenta.
José Ângelo Metta se surpreendeu ao saber dos números do Deral. ''Há produtores em dificuldades, mas tem muito produtor hoje em dia. Não me parece que a situação esteja ruim assim'', afirma. Entretanto, ele cogita uma explicação para a queda do VBP. ''Hoje, temos que trabalhar em cima da qualidade. Muitos produtores não prezam isso, o que acaba interferindo no preço'', explica.

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