Flores no cultivo orgânico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Diminuir os riscos de contaminação por agrotóxicos, tanto no meio ambiente quanto da mão-de-obra, com a conseqüente redução do custo de produção. Esses são alguns dos objetivos que motivam produtores do Norte e Noroeste do Paraná a investirem no cultivo orgânico de flores.
No início da semana 40 pessoas que integram a Associação dos Floricultores do Norte e Noroeste do Paraná (Aflonorpa) participaram do 1º Curso de Floricultura Orgânica, oferecido pela Fundação Mokiti Okada (FMO) entidade estimula o plantio de orgânicos e desenvolve tecnologias para esse cultivo.
As primeiras aulas do curso, em parceria com a Emater e Secretaria Municipal de Agricultura, aconteceram na Fazendinha Via Rural, no Parque de Exposições Ney Braga. Na terça-feira os floricultores visitaram o Centro de Pesquisa Mokiti Okada, em São Paulo (SP) e conheceram também experiências de produtores que já adotam o sistema de cultivo.
A floricultura orgânica, segundo o técnico da (FMO) Emerson Pereira Coghi, é idêntico ao sistema utilizado no cultivo de hortaliças. Dentro da filosofia da Fundação, eles pregam a harmonia do ecossistema para o bom desenvolvimento da planta. Plantas bem nutridas são resistentes ao ataque de pragas e doenças, garante.
O técnico diz que o trabalho começa com um bom preparo de solo, seguido de cuidados com a irrigação, controle de luminosidade, rotação de culturas, manejo de ervas daninhas. A terra é enriquecida com substratos preparados com materias orgânicas idênticas às da região. São acrescentados ainda outras misturas, como pó de serra, casca de pinus, resíduos de cervejarias, bagaço de cana, húmus.
Coghi cita ainda a contribuição dos produtos naturais desenvolvidos pela Mokiti Okada, os microorganismos eficientes (EM) e o bokashi. O EM é uma solução de microorganismos que acelera a decomposição da matéria orgânica e incentiva a ação de outros microorganismos na terra. O bokashi é um mistura de vários farelos, como o de cereais, oleaginosas e farinhas de origem animal, que estimula a fixação e ativação do EM no solo.
As doenças, segundo o técnico, oferecem os principais riscos para a cultura. Assim, até que a planta tenhas condições de se defender sozinha, o sistema orgânico permite o uso de caldos como a calda bordalesa (cobre) no controle de doenças fúngicas, e a calda sulfocálcica (enxofre) que age tanto como inseticida como fungicida. No controle de pragas há ainda a utilização de iscas ou armadilhas.
O cultivo natural, de acordo com Coghi, permite uma redução de até 30% no custo de produção de um vaso, com a mesma qualidade e beleza das flores do cultivo tradicional. O custo pode ter uma redução ainda maior a partir do domínio da técnica pelo produtor que pode assumir a produção desses compostos na propriedade com o aproveitamento de resíduos.
Coghi alerta, entretanto, que a base da agricultura orgânica está na observação do comportamento da planta e, assim, do manejo da cultura. É preciso conhecer a planta e as suas necessidades.


