Flores garantem renda na roça
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Aproveitando a herança familiar no cultivo de flores, o produtor Idelfonso Metta Júnior, 28 anos, de Apucarana, está investindo no plantio de gérberas. O gosto pela atividade foi herdado do pai que está no ramo há quase 40 anos.
Junto com quatro irmãos e mais dois parentes próximos, Idelfonso comprou um sítio de 10 alqueires há pouco mais de dois anos. Com o apoio da Emater e da Prefeitura de Apucarana os produtores conseguiram recursos da extinta linha de financiamento Banco da Terra. A verba de R$ 30 mil por produtor foi destinada à compra da propriedade, construção de casa, instalação elétrica e hidráulica.
Já os recursos para a instalação das estufas vieram através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). No ano passado eles começaram a pagar as parcelas do Pronaf e no final deste ano iniciaram o pagamento do Banco da Terra.
Do grupo de produtores apenas um optou pelo cultivo de hortaliças. Idelfonso e os irmãos escolheram o cultivo de crisântemos e gérberas e um tio deles está produzindo rosas de campo e em estufa.
A produção de gérberas teve início há um ano, numa estufa de 1,2 mil metros quadrados que abriga 6 mil pés de gérberas em oito cores diferentes. As mudas foram importadas da Holanda através de uma tradicional empresa paulista do ramo, com o custo variando entre US$ 1 e US$ 3 a unidade.
Idelfonso explica que as plantas chegam muito pequenas, afixadas em um gel nutritivo, já que as regras de importação impedem que substratos sejam levados de um país para outro. Antes de serem introduzidas nos canteiros as mudas passam por um período de aclimatação que dura em média 60 dias. ''Pelo tamanho das mudas, durante a aclimação há perdas de até 30%'', calcula.
De acordo com o produtor, há uma empresa paulista especializada nesse processo de aclimatação mas, para reduzir os custos, ele mesmo cuidou da adaptação da planta.
Idelfonso diz que o cultivo das gérberas não é difícil, mas demanda bastante atenção, especialmente para o controle do ataque de ácaros e pulgões. A flor não é exigente, apenas não gosta do excesso de umidade. ''A umidade deixa a gérbera mais sensível a doenças'', explica. O produtor faz aplicação preventiva de fungicidas duas vezes por semana.
O florescimento começa 90 dias após o plantio e perdura por até dois anos. A colheita é feita duas vezes por semana. Pela sensibilidade das pétalas, a gérbera é embalada antes de ser enviada para a comercilização. A ''caixa'' tem o formato de um leque e acomoda 12 flores, postas uma ao lado da outra. O preço de venda está a R$ 6,00 a dúzia. ''Nas festas de final de ano vendemos a unidade a R$ 2,00'', assinala.
A gérbera, de origem africana, numa versão 'melhorada' da margarida, segundo o produtor, tem conquistado decoradores pela beleza e o colorido intenso, ocupando lugar de destaque na montagem de arranjos nobres e requintados.
Apesar da qualidade das flores e do mercado certo, o produtor repassa a comercialização para uma empresa de Arapongas. Pois, além das floriculturas buscarem mais variedades na hora da compra, o trabalho, segundo Idelfonso, eleva o custo. ''A porcentagem a que repassamos as flores garante boa lucratividade'', conta.
Idelfonso cultiva também crisântemos de corte e de vaso. Ele está montando mais uma estufa para o plantio de boca-de-leão. O investimento, segundo ele vale pela periodicidade da flor que, com o lançamento de novas variedades, perdeu a característica de planta de inverno. ''Teremos boca-de-leão o ano todo'', informa.


