Flor exige paciência e dedicação
O cultivo de orquídeas requer detalhes como sombreamento, escolha do melhor substrato, regas, escolha de espécies, entre outros. O ambiente para cultivo é de 50% a 70% de sombreamento, que pode ser conseguido de várias formas. Pode-se usar o sombrite (tela preta) para filtragem de luz. Outra opção são as madeiras ripadas, ideal para orquidários domésticos, intercalando sol e sombra, na posição norte-sul. Outro maneira é usar plástico ou telhas de fibra de cimento pintadas.
As orquídeas preferem ambientes mais secos do que úmidos, avisa Gilson Susuki, colecionador e viveirista de mudas de orquídeas em Londrina. Ele explica que o normal é molhar bem o xaxim ou cascas de madeira com carvão, usados como substratos, e só regar novamente quando o vaso estiver bem seco. Dependendo da época do ano, esse período será de três a quatro dias. O excesso de água apodrece a raiz e mata a planta.
A Dendrobium, no viveiro dos Suzuki, levou cerca de oito anos para florescerFalando em raiz, Suzuki faz um alerta: Há uma idéia errada de que a orquídea parasita árvores. Na verdade, a planta se alimenta do ar e usa a árvore somente para se fixar. Não é parasita.
Mistura do vasoO uso do substrato depende da forma de cultivo. Pode ser usado o xaxim desfibrado ou em cubinhos; fica um substrato mais grosso. Segundo Suzuki, o pó de xaxim retém mais umidade, mas não dá boa fixação à planta e, na rega, pode deixar a raiz desprotegida. Outra opção é usar casca de madeira curtida (para tirar o tanino), misturada com carvão. É uma opção para aquelas regiões onde há dificuldade de encontrar o xaxim por causa do desmatamento.
Algumas pessoas colocam isopor nessa mistura. É um substrato que exige um pouco mais de rega, avisa o viveirista, porque mantém a planta mais seca. Há cultivos onde se usa a fibra de casca de coco ou piaçava para substrato.
Tipos de vasoA escolha do substrato vai depender da disponibilidade de material e da pessoa que irá cultivar. Na região de Londrina, por exemplo, o xaxim desfibrado é acessível. Já no Nordeste é usada a fibra de coco. Quem tiver problema de tempo disponível para fazer regas mais regulares pode usar um material mais seco.
O tipo de vaso também é importante no cultivo. Suzuki informa que o vaso deverá ter uma boa drenagem, o que é possível com a colocação de cacos de telha ou de vaso quebrado, com cubinhos de xaxim, dentro do vaso de cerâmica. Mesmo nos vasos de plástico é importante fazer a drenagem para evitar umidade excessiva.
Gilson Suzuki tem 10 mil vasos de mudas de orquídeas e se considera pequeno produtorBaixas dosagensA adubação deve ser feita em pequenas doses ao longo do crescimento da planta. Pode ser quinzenal ou mensal. Os adubos encontrados no mercado devem ser sempre utilizados em doses mais baixas do recomendado pelo fabricante. A adubação natural pode ser feita de farinha de osso e torta de mamona. A química é feita à base de nitrogênio, fósforo e potássio.
Como outras plantas, afirma Suzuki, a orquídea também sofre ataque de pragas e doenças. Os fungos, o ácaro, a cochonila, o pulgão e outros são combatidos com fungicidas e inseticidas. O recomendado é aplicar como prevenção, principalmente em orquidários comerciais, onde não há tempo de verificar, planta por planta, a presença de problemas. Já o amador pode fazer o controle individual por ter um número menor de plantas.
Flores anuaisA orquídea floresce apenas uma vez por ano, sempre na mesma estação em que apareceu a primeira floração. Algumas plantas híbridas podem florir em mais de uma estação ou duas vezes no ano. Mas é raro acontecer, avisa Suzuki.
A Cattleya, por exemplo, costuma florir nos meses de fevereiro, março ou abril. Outras espécies florescem em estação diferente. Caso da Dendrobium ou olho-de-boneca, que floresce entre agosto e outubro.
Dependendo da espécie da orquídea a flor pode durar de 15 dias até três meses, caso da Paphiopedilum acuminatum, ou o sapatinho, que permanece florida por até três meses. A Sobrália tem várias flores que vão murchando uma a cada dia.
A Licaste, nativa de regiões de altitude elevada (1200 metros acima do nível do mar), é difícil de cultivar. A Sophronitis couinea, nativa de regiões serranas, requer muita umidade e boa luminosidade. Em lugares secos é preciso fazer a adaptação ambiental, avisa o outro colecionador Martin Aljarilla Guilhen, também de Londrina.
Segundo Guilhen, a Sophronitis é uma flor inteiramente vermelha; dizem que é a única no Brasil. A espécie é usada como base para o cruzamento de outras orquídeas onde imprime a cor vermelha nas flores.
Espécies variáveisO mais importante no cultivo, avaliam Suzuki e Guilhen, é criar, o mais próximo possível, o ambiente natural das plantas. No Brasil consegue-se cultivar diversos tipos de orquídeas. Na Europa, pelo clima, é necessário o cultivo em estufas de vidros, com ambientação artificial, afirma Guilhen.
Os cruzamentos das plantas obedecem padrões genéticos, reunindo as melhores qualidades da planta-pai e da planta-mãe. Para os colecionadores é importante saber a origem da planta. É na raridade de cruzamentos e híbridos que está o segredo do colecionador.
As formas das flores também são importantes para os colecionadores, garante Guilhen. Segundo ele, nas Cattleyas existe um padrão de planta ideal: um círculo, com dois triângulos equiláteros sobrepostos, formando uma estrela de Davi.
MercadoSão Paulo e Rio de Janeiro, segundo Suzuki, têm o maior número de produtores e centralizam o mercado de flores e mudas. No Paraná existem produtores na região de Curitiba, que atendem um mercado regional. O Estado pode ser considerado o terceiro produtor nacional em comercialização de mudas, sem flor. Londrina ainda não tem produção em escala comercial.
Suzuki tem cerca de 10 mil vasos e se considera pequeno produtor, já que não consegue manter produção para atender a demanda de mais de 30 floriculturas da cidade. Londrina tem 25 colecionadores de orquídeas que montaram o Círculo Norte-Paranaense de Orquidófilos. Este promove uma exposição anual com colecionadores de todo o Brasil.
Flores e mudasA orquídea pode ser comercializada em vasos com ou sem flor. Um colecionador compra a planta sem ver a flor; só pelo nome da planta sabe que flor irá conseguir. E espera até seis anos para a primeira floração. Já o consumidor prefere as plantas com flor.
O custo de uma planta, segundo Guilhen, varia de acordo com o tempo que ela demora para florir. Dependendo da variedade pode ser uma média de três a cinco anos, ou até mais, desde a germinação, feita em laboratório, até o desenvolvimento completo. O preço pode variar de R$5 a R$500.
De acordo com os produtores, os colecionadores têm mudado seu perfil nos últimos anos. O cultivo de orquídeas para exposição e concursos passou a ter colecionadores mais jovens, afirma Guilhen. E é uma atividade, segundo Gilson, que passa de pai para filho. Seu pai é colecionador e começou no ramo de viveirista com orquídeas há 40 anos.
ExposiçãoO Círculo Norte-Paranaense de Orquidófilos promove até amanhã, no Shopping Centro da Moda (Av. Tiradentes, 415), em Londrina, a 4ª Exposição Nacional de Orquídeas.Josoé de CarvalhoO sapatinho ou Paphiopedilum acuminatum muda de cor conforme o cruzamentoCláudia Barberato





