Durante a reportagem a equipe da Folha Rural flagrou um vizinho do produtor Luiz Antônio Pagoti aplicando herbicida de forma inadequada. O produto era aplicado mesmo com a ocorrência de ventos em velocidade acima do permitido. Da propriedade, dependendo da direção do vento, era possível sentir o cheiro do defensivo, evidenciando a ocorrência de deriva.
''Preciso plantar. Se esperar o vento parar vou perder o período de plantar'', justificou o proprietário da área, Luiz Nunes Araújo. O produto usado era a base de glifosato que, em sua avaliação, não causaria danos. Ele se defendeu dizendo ser o último da vizinhança a plantar soja e não teria responsabilidade sobre os danos da parreira do vizinho.
Nunes, que também é produtor de uvas, reconhece que está tendo prejuízos com a cultura. A produção, segundo ele, vem caindo muito e cogita até a possibilidade de arrancar as parreiras. ''Eu colhia em média 40 mil quilos de uvas, este ano não devo tirar 15 mil quilos''.
A agrônoma Ernestina Muraoka destaca que a vida útil das parreiras da região vêm caindo gradativamente. ''A sobrevida das parreiras era de 20 anos, hoje não dá para trabalhar com plantas com mais que 10 anos'', lamenta. A agrônoma destaca a importância de conscientização dos produtores de outras culturas para a sobrevivência não só dos que vivem da diversificação, mas dos postos de trabalho gerados pelo sistema. Só com uvas, a região de Cornélio Procópio tem uma área aproximada de 1,2 mil hectares. (C.G.)

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