Abordaremos, a partir desta semana, as oito plantas medicinais, liberadas pelo governo federal, para serem adquiridas com os recursos provenientes do Ministério da Saúde. Essas plantas são a Espinheira Santa, o Guaco, a Unha-de-gato, a Garra-do-diabo, as Isoflavonas de soja, a Alcachofra e a Aroeira.

No programa municipal de Fitoterapia de Londrina, já utilizamos a maioria destas plantas, que já foram abordadas anteriormente em alguns de nossos artigos.

A escolha dessas plantas pelo Ministério da Saúde, só nos faz crer que estamos caminhando no sentido correto em relação a Fitoterapia, nos antecipando em alguns anos, às decisões do governo federal.

Espinheira Santa - Maytenus ilicifolia Martius. (M. buchananni Loes.)
Aspectos agronômicos:

Planta da família das celastráceas, nativa da América do Sul: Argentina, Uruguai, Paraguai e região Sul do Brasil até São Paulo e Mato Grosso do Sul. Árvore perene, de clima subtropical a temperado. Espécie de sombra/ sub-bosque, mas que se adapta a pleno sol (CPQBA - Unicamp, 1990; Correa et. Al., 1991). Ocorre em formações florestais ao longo de cursos de água de São Paulo ao Rio Grande do Sul.

Desenvolve-se bem em diversos tipos de solo, mas prefere os de fertilidade mediana, com bom teor de matéria orgânica (aluviões). Pode ser cultivada em solos pesados, desde que não permanentemente alagados. Adapta-se bem em plantios em matas ciliares na meia encosta.

Propaga-se por sementes, que possuem pouca longevidade (aproximadamente 20 dias). Podemos ainda obter mudas coletadas na mata, sob plantas adultas, que são resultado de ressemeadura natural ou de brotação de meristemas de raízes. Outras formas de propagação são a micropropagação por cultura de meristema e as estaquias de ramos novos ou de raiz (o pegamento por estacas da parte aérea é muito baixo, mesmo com a aplicação de indutores de enraizamento em condições de nebulizador). O espaçamento deve ser de 1 a 2 metros entre plantas e 2 a 3 metros entre linhas, sob sol pleno. Em locais sombreados, devemos respeitar o espaço de 1 a 2 metros entre plantas e 2 a 4 metros entre linhas. Devido ao lento desenvolvimento pode-se realizar plantios intercalares com espécies de maior porte.

A planta pode chegar a 8 metros com 30 anos. Aos 5 anos atinge 1,2 a 1,6 meses. Colheita após 4 a 5 anos do plantio no campo. Deve-se colher apenas 50% das folhas para permitir a recuperação da planta. O ideal é intercalar a colheita na mesma planta a cada 2 anos. Rendimento de aproximadamente 1 kg de folha seca/pé após o 7º ano (Correa et. Al., 1991).
A temperatura máxima de secagem não deve exceder os 40 a 45ºC;

Nomes populares: Espinheira-Santa (Brasil), congorosa (Argentina), cangorosa (Paraguai), maitén, maiteno, cancerosa, sombra-de-toro, salva-vidas, quebrashillo, pus-pus;

Histórico: Utilizada pelos índios brasileiros e paraguaios como remédio anti-tumor, e na Argentina como anti-asmático e anti-séptico. Conhecida no mundo médico desde 1922, pelos trabalhos de Aluízio Franca (faculdade de Medicina do Paraná);

Usos terapêuticos: Normalizador das funções gastrointestinais, especialmente como protetor de mucosas, gastralgias inespecíficas, dispepsias, hipotonias intestinais, tonificante, laxante suave, cicatrizante, anti-bacteriano, auxiliar em tratamentos de certos tumores;

Princípios ativos: Terpenos (maytesina, tingenona, congorosina, friedelina, entre outros), alcalóides (maitanprina, maitansina, maitanbutina e cafeína), taninos, flavonóides, mucilagens, antocianos, açúcares livres, minerais e oligoelementos;

Partes utilizadas: Folhas frescas ou secas, e em menor escala a casca, galhos menores e raízes;

Formas de uso e dosagem: Chá em infusão das folhas: 10 a 30 gr/litro de água - 3 a 4 xícaras/dia; extrato seco: 400 mg 1 a 3x/dia;

Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário. Lembrar-se sempre, que se os sintomas digestivos forem persistentes ou de repetição, o médico assistente deverá ser informado;

Efeitos colaterais: Dermatites em pessoas sensíveis. Pode reduzir a possibilidade de engravidar (inibe a implantação do óvulo fecundado);

Contra-indicações: Gravidez e lactação.

Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

Fontes principais de consulta:
''Cultivo de plantas aromáticas e medicinais'' - Iapar - Autor: Paulo Guilherme F. Ribeiro; Co-autor: Rui Cépil Diniz - Livro em fase de conclusão para publicação;

''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' - Autor: Jorge R. Alonso - editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.

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