A tosquia dos ovinos, feita de setembro a março no Paraná, tem uma importância muito grande para a reprodução dos animais. Não porque a lã incomode o animal, como pensam muitos criadores, mas porque a fêmea sem lã fica melhor preparada para entrar na atividade reprodutiva. A sincronização do cio com a tosquia é natural, e ocorre em média entre 10 a 15 dias depois da retirada da lã da fêmea. ‘‘Ela também aceita melhor o macho depois da tosquia’’, explica Luiz Macedo.
Ele lembra que muitos criadores acham que a retirada da lã se deve apenas às condições do clima muito quente, ou para a comercialização do produto. ‘‘Na nossa região a principal função da tosquia é a reprodutiva’’, diz. Macedo explica que todos os animais, a partir de seis meses, devem ser tosquiados uma vez por ano. ‘‘Hoje a lã não vale mais nada, e muitos criadores deixam de fazer a tosquia, o que é errado’’, aconselha. O preço da lã, que há alguns anos chegava a ser comercializada a U$2,5 a U$4 o quilo, hoje não consegue mais que R$0,40, mas falta comércio na região.
A entrada de fios sintéticos derrubou o mercado e acabou com o comércio de lã de ovinos. Hoje o produto é mais utilizado para artesanato, por ser mais complicado de trabalhar que outros materiais. ‘‘O produtor acha que a lã ainda tem preço, mas a realidade é outra e muitos acabam deixando de fazer a tosquia’’, lamenta Macedo. Ele alerta que deixar os animais sem tosquiar não se justifica, pois é prejuízo certo para o rebanho.
Em média um bom tosquiador cobra entre R$1,00 e R$1,50 por animal tosquiado, dependendo do local e da quantidade de ovinos. Alguns tosquiadores também aceitam fazer o serviço em troca da lã retirada dos ovinos. ‘‘O criador deve ficar atendo e ver se a pessoa sabe fazer o serviço’’, alerta Macedo. Ele diz que na região de Maringá existem muitas máquinas de tosquia, inclusive compradas por prefeituras, mas faltam tosquiadores capazes. Uma máquina custa em torno de R$1,5 mil.(M.Z.)

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