Fim de ano aquece setor de suínos e aves
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2001
Carolina Avansini<bR>De Londrina 
A proximidade das festas de final de ano deve aquecer ainda mais o mercado de suínos e aves no Brasil. De acordo com o pesquisador Ademir Francisco Giroto, da Embrapa Suínos e Aves em Concórdia (SC), nesse período o consumo cresce no mínimo 10% a 15%, principalmente com relação a embutidos de suínos e frangos especiais. ''Como houve crescimento nas exportações, é possível que falte produto no mercado interno'', analisou.
Ele acredita que a atual conjuntura está boa para o produtor. ''Com a possibilidade de escassez, as indústrias tendem a subir o preço para não perder fornecedores'', comentou. Segundo Giroto, a alta na cotação também sinaliza que os frigoríficos, preocupados em manterem o mercado interno abastecido, pretendem estocar carne para o final do ano.
No início de 2002, porém, ele avalia que a remuneração dos produtores deve cair. ''Os preços só serão mantidos se aumentarem as exportações'', disse. No ano passado, o Brasil abateu 25 milhões de suínos e exportou 128 mil toneladas de carne. A previsão, em 2001, é atingir 180 mil toneladas de carne exportada.
Com relação ao frango, o Brasil produziu seis milhões de toneladas em 2000, com exportação de 916 mil toneladas. O pesquisador informou que o aumento nas vendas externas se deve à abertura do mercado russo e dos países da antiga União Soviética à produção brasileira.
Produtor satisfeito
O suinocultor Nelson Guidoni, proprietário da Granja Peru em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), está satisfeito com os rumos de seu negócio. Segundo ele, além do crescimento das exportações, o setor também se beneficia do aumento de consumo no mercado interno. ''Graças a campanhas da Associação Brasileira de Produtores de Suínos, a população se conscientizou que a carne suína não faz mal para a saúde'', comentou o produtor, que também é presidente da Associação de Suinocultores de Arapongas (Assuar).
Ele informou que apesar do crescimento no consumo em virtude do Natal e do Ano Novo, sua empresa não deve aumentar a comercialização . ''Trabalho com vendas programadas, vou apenas seguir meu planejamento'', disse o criador, que abate 600 cabeças de suínos mensalmente, incluindo o porco light, caracterizado por possuir mais carcaça e menos gordura.
Guidoni também analisou que se houver maior demanda por leitões no final do ano, haverá falta de animais terminados (em ponto de abate) em um futuro próximo. ''Se isso acontecer, o preço deve melhorar ainda mais'', opinou. Por outro lado, advertiu, quando o valor cobrado pelo produto fica muito alto, há tendência de diminuição do consumo no mercado interno até regular preço. Ele também informou que hoje, o produtor está recebendo de R$1,60 a R$1,70 pelo quilo de carne suína.
Frango
''O aumento no consumo de frango no final do ano é menos significativo que o observado no setor de suínos, pois a carne da ave já faz parte da alimentação diária do brasileiro'', analisou o empresário Domingos Martins, diretor da Frango DM de Arapongas, que industrializa e comercializa carne de frango e subprodutos. Segundo ele, o Natal e o Ano Novo impõem apenas crescimento da demanda por partes nobres (peito, coxa e sobrecoxa), além de frango temperado. ''Curiosamente, também crescem as vendas do coraçãozinho de frango. Chega até a faltar'', informou.
Apesar dessa conjuntura, ele informou que o setor normalmente dá conta de atender à maior procura impulsionada pela proximidade das festas. ''A cadeia produtiva de aves é muito estruturada. As indústrias costumam estocar para evitar o desabastecimento'', comentou.
O empresário acredita que a suinocultura deveria seguir o exemplo do setor de aves para enfrentar os altos e baixos do mercado. ''O preço cobrado pelo suíno no varejo é caro, se considerarmos o valor pago ao produtor. A cadeia produtiva precisa se organizar para eliminar os atravessadores, pois isso diminuiria a carga tributária, abaixaria o preço e estimularia o consumo'', avaliou.
Feira
Na semana passada foi realizada em Londrina a Feira Internacional de Genética, Processamento, Insumos e Tecnologia Animal (Figtec 2001). O evento contou com 60 expositores, entre fornecedores de equipamentos e insumos da cadeia avícola e suinícola, representantes do setor de nutrição animal, produtos e equipamentos veterinários, genética e máquinas industriais. Em sua primeira edição, a feira teve o objetivo de incluir o Paraná no calendário de eventos do agrobusiness do segmento. O Estado é o maior produtor brasileiro de aves e o segundo no ranking de produção de suínos.


