O entomologista da Embrapa Soja Antônio Panizzi cita alguns casos, como o da ferrugem asiática, em que o uso do agrotóxico é crucial para a manutenção da lavoura. ''Nesse caso, o produtor não tem como evitar a aplicação do fungicida porque se não usar, não colhe'', diz.
''É um impasse, pois o fungicida conserta de um lado, mas provoca um efeito colateral desastroso de outro, já que contribui para o aparecimento de ácaros e lagartas na soja'', afirma Panizzi, assinalando que as ações de controle de pragas e doenças nunca podem ser dissociadas uma da outra.
''A política que se vende hoje no mercado é a de que quanto mais agrotóxico o produtor usar na lavoura melhor, o que é mentira. O agricultor precisa ser mais paciente e abandonar as aplicações calendarizadas'', aconselha. ''Ele deve usar apenas a quantidade necessária do produto e aplicá-lo na hora exata para evitar uma possível 'intoxicação' da lavoura'', completa Panizzi.
O entomologista defende a criação de um fórum permanente para a discussão do manejo integrado de pragas no País. ''É preciso estabelecer metas e prazos para colocar as ações em prática. Acho que o Ministério da Agricultura deveria encampar essa idéia'', sugere. (M.G.)

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