Muito comum em quintais, a figueira é mais conhecida como uma árvore ‘‘doméstica’’, com frutos saborosos, que podem ser consumidos frescos ou transformados em doces caseiros. Mas, no campo, essa frutícola pode ser excelente alternativa de diversificação. É o que garante o técnico da Emater, Paulo Tadeu dos Santos Marcondes. Ele lembra que o Brasil produz anualmente cerca de 25 mil toneladas da fruta, ficando em 2º lugar no ranking mundial. ‘‘A rentabilidade é a maior vantagem do cultivo da figueira. A partir de um hectare o produtor já começa a dar lucro’’, diz.
ProblemaUma das dificuldades para Joel Ferreira Júnior é a falta de assistência especializadaNo Paraná a área é pequena - 88 hectares, conforme o Deral -, mas a cultura da figueira tem conquistado espaço em algumas cidades do Estado. É o caso de Kaloré (55 km ao sul de Apucarana), um município de sete mil habitantes que tem na agricultura o ponto forte de sua economia. O cultivo do figo chegou até lá há cinco anos, através de um projeto da Emater. A idéia, segundo Marcondes, era apresentar a cultura como uma alternativa para sistemas de diversificação. Para isso foram instaladas duas unidades demonstrativas e realizados dias-de-campo.
Gastos elevadosApesar de ainda ocupar uma área pequena no município (18 hectares na safra 96/97), o figo tem mostrado crescimento significativo. Na safra 95/96, a cultura ocupava seis hectares. Ou seja, a área triplicou de uma safra para a outra. Atualmente, Kaloré tem a maior produção de figo do Estado. Das 452 toneladas produzidas no Paraná na safra 96/97, 16% saíram de Kaloré.
O que tem chamado a atenção dos produtores para essa cultura é o retorno econômico. Apesar dos gastos elevados na implantação do pomar, a cultura pode ter rentabilidade de até R$3.800/ha, a partir do quinto ano. ‘‘Com a soja ou o milho, os lucros não passam de R$450 por hectare’’, argumenta Marcondes.
Mesmo em pequenas áreas, a figueira pode ser rentávelO presidente da Associação dos Produtores de Kaloré, Amarildo Spadim, concorda. Ele vem cultivando o figo há três anos em um hectare do Sítio Santa Inês. Na última safra, Amarildo Spadim colheu seis toneladas de figo verde, que lhe renderam R$3 mil de lucro. ‘‘Tive em um hectare de figo a mesma rentabilidade que teria em três hectares de soja’’, compara. Apesar da vantagem, o produtor considera o figo ‘‘uma atividade a mais’’. O ideal, segundo ele, é destinar uma parte da propriedade à cultura e continuar com atividades mais estáveis. Amarildo Spadim trabalha também com milho, soja e gado leiteiro.
DiversificaçãoHá pouco mais de dois anos Joel Ferreira Júnior tem investido na cultura do figo no Sítio Itajobi. Atualmente, ele tem 14 mil plantas, cultivadas em seis hectares. Apesar de ter enfrentado problemas com a lavoura, que na última safra abortou 90% dos frutos, o produtor acredita que a cultura é uma boa alternativa de diversificação. Em sua propriedade, o figo ocupa espaço ao lado do milho, da soja, da piscicultura e da criação de codornas.
Mário CesarO figo pode ser consumido fresco ou utilizado na industrializaçãoPara a implantação do pomar, Joel gastou cerca de R$3 mil por hectare. Como optou pelo plantio por estacas, os gastos foram um pouco mais baixos. No controle da broca e da ferrugem - principais problemas da cultura - o produtor tem investido cerca de R$300 por mês na aplicação de inseticida e fungicida. ‘‘É uma cultura que dá trabalho e muitos gastos, mas que compensa na hora da venda’’, diz.
Dedicação e tecnologiaPara Amarildo Spadim e Joel Ferreira Júnior não falta ânimo, mas as dificuldades também são muitas. A cultura da figueira exige dedicação intensa e tecnologia específica. ‘‘Temos falta de assistência técnica especializada’’, diz Joel. Os produtores, através da Associação e da Secretaria Municipal da Agricultura, estão tentando contratar um engenheiro agrônomo que trabalhe com figo. ‘‘Já fizemos contato com técnicos da região de Valinhos (SP)’’, diz Amarildo. Valinhos atualmente é o maior pólo produtor de figo do Brasil.
Outro problema está na própria cultura. O ‘‘leite’’ que escorre das folhas e frutos na hora da colheita causa irritações e até queimaduras na pele. ‘‘Mesmo usando luvas, sempre acabamos tendo contato com o líquido e sofrendo lesões’’, contam os produtores. A comercialização também tem algumas dificuldades, por causa da distância das indústrias de processamento. A maior parte da produção de Kaloré é destinada a indústrias de Minas Gerais.
AgroindústriaO que os produtores querem agora é construir uma unidade de beneficiamento em Kaloré. Isso diminuiria os problemas de comercialização e traria outras vantagens, como agregar valores ao produto agrícola. ‘‘Seria importante para a cidade, pois iria gerar empregos’’, argumenta Joel Ferreira. Na opinião do produtor, a agroindústria também seria um incentivo para que outros produtores aderissem à cultura ou aumentassem a área cultivada. ‘‘E como as lavouras de figo exigem muita mão-de-obra, seriam gerados ainda mais empregos. Acredito que o figo poderia alavancar a economia de Kalor钒. Mas os planos ainda estão em fase de negociação. ‘‘Estamos buscando apoio da Prefeitura e também vamos estudar qual a melhor alternativa de industrialização - geléia, doce ou em passa’’, informa Amarildo Spadim.

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