Ficou difícil manter criações
O andar macio, proporcionando conforto ao cavaleiro, faz do cavalo mangalarga marchador ideal do lazer até os serviços gerais de uma fazenda. A afirmação é do criador Márcio Rezende Pimenta, de Londrina, que mantém a criação em Cornélio Procópio. Rezende mantém a criação do mangalarga marchador há 50 anos, mas a criação foi iniciada pelo pai em 1927 em Minas Gerais.
De 1980 para cá, com as crises econômicas, ficou difícil manter as criações de cavalos. Somente os grandes haras sobreviveram. Alguns criadores menores, segundo Rezende, soltaram seus animais no pasto e mantiveram a criação na propriedade mesmo e isso não foi só com o mangalarga, mas também com outras raças.
Mercado restritoPor necessidade ou lazer, a criação de cavalos, avalia Rezende, não dá renda suficiente como negócio. É preciso que o criador tenha outra atividade que lhe possibilite repassar verbas, para manter a criação de cavalos. Outro ingrediente necessário, enumera o criador, é preciso gostar e não é só isso. É necessário fazer uma seleção de melhoramento entre os animais.
No caso da raça mangalarga marchador, segundo ele, o trabalho da associação brasileira, com sede em Minas Gerais, continua ativo nas regiões onde existem criações. Há uma exposição anual em setembro, em Belo Horizonte, além de leilões anuais com bons preços nos animais comercializados, especialmente nas praças de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
Fora isso os haras especializados promovem seus leilões anuais onde um animal pode valer de R$5 até R$24 mil. Na fusão das linhagens da raça nasceram outros criadores com mentalidade diferente. Parte dos criadores mais antigos não tiveram rendimentos e desistiram da atividade. O trabalho de manutenção da raça tem sido feito, segundo Rezende, por haras que mantém centrais de inseminação e transferência de embriões.
Estudos e publicaçõesEntre os serviços do cavalo, Rezende destaca também a apartação do gado e a resistência de andar longas distâncias, sem se cansar. Todas as qualidades do cavalo, garante, estão embasadas em estudos científicos, feitos por criadores e técnicos, ao mostrar uma pilha de livros sobre o mangalarga marchador da qual o autor com maior número de títulos é Lúcio Sérgio Andrade. Há também publicações específicas da raça, através de revistas e catálogos.
Segundo Rezende, a sede da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga Marchador está instalada em Belo Horizonte (MG), mas os animais da raça estão espalhados em criações de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Nestes Estados o cavalo é usado tanto para lazer quanto para serviços gerais, trabalhando bem nas condições mais diferentes de um Estado para outro.
Rezende calcula que a associação de criadores tem hoje mais de 15 mil sócios, dos quais ele foi um do primeiros. A fundação foi em 1949. O próprio Rezende, em 1986 formou um núcleo, em Londrina, de criadores do marchador. A entidade durou seis anos. Faltou apoio financeiro para continuar trabalhando.
Durante a vigência do núcleo de criadores, Rezende lembra que nas exposições agropecuárias conseguiam reunir de 120 a 150 animais. Hoje, na exposição de Londrina, a participação dos cavalos depende do empenho de cada criador. Como participar demanda custos, quase ninguém vem, afirma Rezende. Ele mesmo, apenas por insistência de amigos que fazem parte da diretoria da Sociedade Rural do Paraná, promotora a Exposição 99, trouxe este ano para a feira quatro animais mangalarga marchador.
RusticidadeNo mangalarga existem cinco linhagens que foram formadas a partir do século passado, época da criação do cavalo, que misturadas umas as outras foram formando novas linhagens. As linhagens básicas do mangalarga são: abaíba, bela cruz, anghai, passatempo e tabatinga. Estas linhages é que constituíram o primeiro padrão racial do marchador.
Hoje o cavalo é de porte médio, medindo entre 1m50 e 1m52, com predominância de cor tordilha castanho. A cobertura é feita dos dois anos e meio a três anos, com uma gestação de 320 a 360 dias. Nos nascimentos, geralmente a preferência dos criadores é por fêmeas, para aumento do plantel. Na monta natural é preciso um reprodutor para servir até 20 fêmeas.
A grande vantagem do marchador, destaca Rezende, é que o cavalo não exige criação em baias. Ele é do pasto, rústico. Só um bom pasto já é suficiente. Desde que se combata os parasitas, em especial carrapatos, e os vermes, nos rebanhos soltos a pasto é uma criação que não dá muita mão-de-obra, garante Rezende.
A criação também pode ser feita em baias, mantendo garanhão e éguas mais especiais em semiconfinamento com meia ração. Manejo como este, segundo Rezende, é dado a animais destinados a competições em exposições e julgamentos.
O plantel de Rezende soma 30 fêmeas e 5 reprodutores. É um plantel mediano, segundo o criador, mantido para reprodução e serviço na propriedade. A maior especialidade dele, daí o nome marchador, é a marcha. Considerando que é o único que marcha, outras raças são todas de trotes, o marchador dá conforto na montaria e o cavaleiro não se cansa, destaca.VítimaCrises econômicas dificultaram criação de cavalos e restam poucos mangalarga no Norte do ParanáCláudia Barberato





